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Porto Alegre, janeiro de 2006 - page 75 / 82

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Hélio Riche Bandeira, Mestre em Educação, PUCRS * www.padilla.adv.br/desportivo/artesmarciais * p.75

compreensão da visão do oriente em consonância com a visão do ocidente, não deveria ficar restrita a setores como o karate, mas ser difundida em toda a nossa sociedade, como um valioso meio de busca de uma maior valorização do “ser” em relação ao “ter”.

  • A busca da simbiose revela que não devemos importar ou impor medidas tão diferentes de

nossa cultura, mas abrirmos nossas mentes para outras culturas, respeitando seus contextos e adaptando-os as nossas realidades, para então formarmos uma nova concepção para nossas vidas. Assim como é feito no karate, que embora baseado na cultura oriental, sua pratica aqui no ocidente busca uma sintonia com a nossa cultura, não o imitando conforme acontece no Japão, mas adaptando-

  • o

    de forma que se respeite e valorize as diferenças.

    • Infelizmente o karate é visto por muitos com uma imagem pré-conceituosa de um esporte

violento e agressivo, principalmente, como decorrência da falsa imagem transmitida pelos filmes e pela mídia em geral e pelo aparecimento de outras lutas que, diferente das verdadeiras artes marciais, são totalmente destituídas de princípios filosóficos.

  • A diferença de concepção e atitudes de agressividade e violência entre os karatecas iniciantes e

os mais veteranos é, segundo os entrevistados, bastante grande, o que nos leva a deduzir que durante o tempo de treinamento estes evoluem suas consciências, percorrendo uma espiral como a descrita no capítulo dois.

  • O desenvolvimento da consciência obtido durante os anos de treinamento do verdadeiro karate

melhora o conhecimento e domínio de seus praticantes. A escalada do aumento de consciência no karate percorre diversos estágios, levando seus praticantes a desenvolverem potencialidades nos aspectos físicos, mentais, emocionais e, principalmente, espirituais.

  • No aspecto físico o karate possibilita, além de um melhor condicionamento e saúde, a

possibilidade de conhecermos melhor o nosso corpo para então dominá-lo. O treinamento físico também possibilita descarregar mais eficientemente as agressividades e tensões acumuladas no dia-a- dia.

  • O karate leva, com o decorrer dos anos de treinamento, a se ter o controle mental sobre o físico

e o emocional, proporcionando fazermos reflexões antes de agir diante dos mais diversos conflitos. A preocupação de enfrentarmos e vencermos os outros passa para uma disputa e superação interior, de combate contra nossas próprias fraquezas, medos e receios.

  • Quando chega no estágio espiritual o karate busca desenvolver a meditação, a reflexão de uma

visão descomprometida com os extremos na qual nunca existe uma única verdade e a noção do ser humano vivendo em paz e sintonia com o universo e fazendo parte de uma totalidade energética. Nesta fase o karate possibilita, geralmente, que possamos, diante das mais diversas situações de conflito, refletir, respeitar e compreender os pontos de vista divergentes do nosso, para então conduzir a soluções não violentas a resolução de problemas.

  • Quando conhecemos melhor nossos potenciais e aprendemos a controlá-los, começamos a

desenvolver condutas não agressivas, porque, muitas vezes, somos violentos simplesmente por sermos inseguros e não conhecermos nossas capacidades e nossos autocontroles.

  • O

    desconhecido nos dá medo e ao medo, geralmente, se reage com violência.

    • O desenvolvimento de condutas não violentas em karatecas é extremamente significativo,

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