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Porto Alegre, janeiro de 2006 - page 76 / 82

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Hélio Riche Bandeira, Mestre em Educação, PUCRS * www.padilla.adv.br/desportivo/artesmarciais * p.76

porque diferente de outras práticas como o tai-chi-chuan ou a yoga, em que as pessoas já as procuram com uma visão antiviolência, no karate, muitas vezes, ocorre o contrário. No início muitos buscam o karate como uma forma de vingança, de proteção ou para aprender uma luta violenta, para ser usada contra seus opositores. Mas, com o passar do tempo e de treinamento, conforme retratado pelos entrevistados, estas práticas desenvolvem suas consciências e mudam estas concepções, tornando então o karate num instrumento de não violência.

  • O karate desenvolve em seus praticantes uma melhora na auto-estima positiva, permitindo a

eles ter uma visão mais realista de suas possibilidades, defeitos e virtudes, como também uma maior confiança para enfrentar medos e angustias. Desta forma, o melhor autoconhecimento também contribui como um fator inibidor da violência.

  • O treinamento do karate também desenvolve o sentido de cortesia, principalmente, pelo

respeito e valorização dos outros e de todo o universo.

  • A influência da parte competitiva do karate sobre o aumento ou não da agressividade e

violência foi o item que mais dividiu a opinião dos entrevistados. Mas, buscando as opiniões dos dois karatecas mais antigos, pode-se perceber que com o amadurecimento da consciência do verdadeiro espírito do karate, o significado e os objetivos de competir também evoluem. Desta forma, o ganhar ou perder passam a ter um significado secundário, pois o que realmente interessa é a busca de entendimento e mesmo superação de seu potencial de força interior. Portanto, um karateca pode competir sem deixar de lado os princípios filosóficos, que são a essência do verdadeiro karate.

Por isto, através dos levantamentos desta pesquisa podemos considerar que o karate é, de uma forma significativa, um excelente instrumento na Educação para a Paz e na Educação para a Saúde.

Na Educação para a Saúde pelo desenvolvimento do condicionamento físico em geral, por funcionar como uma espécie de válvula de escape psicológica, para o alívio de tensões e estresses causadores de diversas enfermidades e, principalmente, por se preocupar com o desenvolvimento harmonioso do indivíduo, levando em conta não somente o aspecto físico, mas também o mental, o emocional e o espiritual.

Na Educação para a Paz principalmente pelo controle da agressividade e pela procura de uma maior espiritualidade que levam seus praticantes a tomarem atitudes não violentas, perante situações em que tenham de resolver conflitos.

Desta forma, vejo também a necessidade de que, na atualidade, mais instituições escolares, políticas ou sociais busquem Projetos como os descritos no capítulo dois, nos quais práticas esportivas saudáveis levam a construção de culturas de paz e culturas de saúde.

Por fim, levando em conta todas estas considerações, este singelo estudo aqui apresentado tem por meta plantar uma pequena semente, mostrando que podemos, através de práticas como a do ensino do karate, auxiliar a construir seres humanos mais harmoniosos e integrados com seus semelhantes e com todas energias do universo, tornando o mundo mais humano, justo e menos violento.

6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFIAS

ALMEIDA, Eduardo. Arte marcial não é porrada. Fighter Magazine, São Paulo: Escala, n. 5, p. 10-11, 2005.

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