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Interação em Psicologia, 2009, 13(2), p. 323-333

Psicologia Institucional:

  • O

    Exercício da Psicologia Como Instituição

Marlene Guirado Universidade de São Paulo

RESUMO

  • O

    presente texto visa a atualizar e recolocar, agora no âmbito das mudanças de contexto conceitual e

concreto do exercício da psicologia como instituição, o que já se vinha esboçando como uma proposta de Psicologia Institucional que respeitasse a especificidade de ação do psicólogo. O capítulo quatro do livro Psicologia Institucional (Guirado, 1987/2004), intitulado “Em busca de uma especificidade de atuação do psicólogo”, é revisitado e revisado à luz dessas mudanças. Mais que isso, é reescrito numa tal ordem que se pode acompanhar o avanço do pensamento e da prática profissional, desde então. Partindo da diferenciação entre os modelos psicanalítico e sociológico de Psicologia Institucional, discute-se tal distinção, confluindo para uma terceira proposta, a qual permite tratar a própria psicologia como instituição, bem como permite tratar o seu exercício, no interior de outras práticas institucionais, como Análise Institucional do Discurso. Situações exemplares são destacadas para dar a conhecer essa estratégia de pensamento.

Palavras-chave: psicologia institucional; psicologia como instituição; análise institucional do discurso.

ABSTRACT Institutional Psychology: Psychological Practices as Institutions

This paper aims to update the proposition to an Institutional Psychology, considering the concrete and conceptual changes in our understanding of psychology as an institution. Chapter 4, titled “Looking for the specificity of psychologist work”, in Institutional Psychology (Guirado, 1987/2004), is reviewed and rewritten in a way that makes it possible for the reader to follow the advancements of thinking and in practice. The starting point of this rearrangement is the discussion of the differences between psychoanalytic and sociological models in this area. The goal is to devise a new proposition: to consider psychology, on its own, as an institution, so that its exercise can be remarked as Institutional Discourse Analysis. Examples are given so as to make it understood what is this strategy of thinking psychology.

Keywords: institutional psychology; psychology as institution; institutional discourse analysis.

323

Desde o final da década de 1980, tenho procurado discutir a especificidade do trabalho e da pesquisa em psicologia quando esta se faz junto a outras institui- ções sociais. Essa discussão estendeu-se à clínica, numa inversão aparentemente contraditória, uma vez que nesse contexto, a psicologia teria tudo para “rei- nar absoluta”, para definir o o quê e o como as coisas devem ser feitas. Afinal, pela formação, pela regula- mentação da profissão bem como pela expectativa do público e dos agentes institucionais, esse é o territó- rio-rei do psicólogo. No entanto, ao partir da especifi- cidade de atuação do psicólogo nesse contexto, como que num movimento de boomerang, acabamos por considerar o consultório como instituição e isto nos

exigiu esclarecer, cada vez mais, o campo conceitual desse modo de pensar e fazer e pensar a psicologia, já então reconhecida como Psicologia Institucional.

  • O

    presente artigo visa a revisitar tais discussões,

desenvolvidas nesses quase 20 anos de trabalhos con- tínuos e intensos. Visa a demonstrar a sustentabilidade da estratégia de pensamento que assim se organizou, no tempo e pela experiência concreta e refletida, para hoje tratar a psicologia institucional, não como uma área de atuação profissional, ao lado daquelas já co- nhecidas (clínica, social e do trabalho, escolar, expe- rimental), mas como um modo de fazer concretamente a psicologia; um modo de produzi-la na interface com outras modalidades do conhecimento humano, confi-

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