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Marlene Guirado

atenção constante, como dissemos de início, à ação dos pressupostos teóricos de nossa disciplina do co- nhecimento, antecipando-se a qualquer análise de contexto. Implica também, mesmo que a partir de um lugar institucional restrito e restritivo (até porque, em qualquer instância e por definição, um lugar institucio- nal sempre o é), ter sempre em mente o conjunto das práticas em que se está inserido (ou, nas palavras de Bleger, a instituição como um todo), bem como as tensões entre os grupos nessas práticas, na apropriação daquele que se configura seu objeto, aquilo em nome de que a instituição se faz.

Com essas atenções e disciplinas constitutivas de seu trabalho cotidiano, o psicólogo poderá se dedicar a uma ação junto à clientela (alunos de uma escola, pacientes de um Hospital-Dia, por exemplo), ou junto aos grupos que produzem e reproduzem a relação básica daquela instituição (professores e alunos, ou atendentes e enfermeiros e os pacientes). Ela (a ação do profissional em psicologia) será institucional se esta for a perspectiva do trabalho. E não, como habi- tualmente se pensa, para carrear o título, dever-se-á trabalhar com todos os grupos, principalmente com aqueles do grupo-gestor, detentores do poder de tomar decisões que atinjam a todos.

Como, concretamente, fazer isso? Acompanhando a distribuição de tempos e espaços/atividades na roti- na diária (ou semanal); quem faz o que, como, quan- do. Acompanhando, ainda, as relações seus conflitos e tensões, incluindo aquelas de que faz parte o próprio psicólogo. Não para desenvolver paranoias, autocen- tramentos e onipotências, mas para configurar o jogo de expectativas criadas nas relações imediatas, como se responde a elas e a orientação que então se segue. Com atenções assim aparentemente prosaicas, pode- mos nos dar conta do desenho dos procedimentos e dispositivos discursivos em jogo. E, o mais importan- te: podemos nos implicar nele como pólos geradores de ação sobre a ação de outros, como pólos de resis- tência à mudança, ou ao poder, simplesmente.

Afinal, é esse o norte para que aponta o título do texto: o exercício da psicologia como instituição...

REFERÊNCIAS

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Recebido: 28/05/2007 Última revisão: 12/10/2009 Aceite final: 20/10/2009

Interação em Psicologia, Curitiba, jul./dez. 2009, (13)2, p. 323-333

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