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Psicologia Institucional: O Exercício da Psicologia Como Instituição

333

Notas:

1

Por exemplo, a lei que regulamentou a profissão previa que os psicólogos se dedicassem ao psicodiagnóstico e à modificação de comportamento, onde fossem chamados a intervir: educação, orientação profissional, problemas de aprendizagem e assim por diante. As terapias não foram, em princípio, consideradas campo de atuação em psicologia. No entanto, uma espécie de desobediência civil foi, como quem nada quer, mais e mais, legitimando as psicoterapias como área de atuação em psicologia. Talvez pelo acotovelar entre médicos e psicólogos, nas Sessões Plenárias do Congresso, nossa profissão contentou-se com uma regulamentação que mais restringia do que ampliava seu âmbito e exercício. Mas, o fato é que, historicamente, apesar do peso que o psicodiagnóstico veio a ter, até em função da presença extensa das disciplinas de testes durante a formação, em menos de 10 anos de lei, outras práticas psi- cológicas foram se impondo e abrindo mercado de trabalho. Também, o ocaso dos tempos de ditadura militar encontrou o ensino da psicologia modificado pela ação de professores que passaram a ministrar disciplinas que buscavam refletir sobre as relações entre psicologia e sociedade. Dentre eles: Dante Moreira Leite, Sylvia Leser de Mello, Maria Helena Patto e Ecléa Bosi, só para citar alguns expoentes da USP. No início da década de 1980, pelas ideias de argentinos como Pichón-Rivière e Bleger, um certo modelo de trabalho com grupos dentro e fora das organizações, bem como uma forma de intervenção com o conjunto dos grupos, sobretudo em organizações de saúde e de educação ou em comunidades, sob o título de Psicologia Institucional, ganha corpo e adeptos sedentos de propostas concretas de atuações sociais com psicologia e psicanálise.

2

Em 1982, como docente da USP, propus a disciplina Psicologia Institucional, como optativa, no programa de graduação. Somente em 2003, com o novo currículo implantado, ela veio a constar como obrigatória. Apesar de ter sempre trabalhado como psicóloga numa perspectiva sócio-institucional e de tratar das articulações entre psicologia, sociologia e política, no momento da propositura da refe- rida disciplina, não me dei conta do quanto organizava de forma particular, um contexto de atenções mais amplo, no que diz respeito à nossa profissão.

3

Uma referência a Chico Buarque em Apesar de Você (1971).

4

Leia-se para comprovar essas impressões, o “Prólogo à segunda edição” em Grupos, Organizações e Instituições (Lapassade, 1974/1977).

5

Com isso Lapassade se distancia de uma concepção de ideologia e de instituição que se firmou pela orientação marxiana de L. Althusser, em A Ideologia e os Aparelhos Ideológicos do Estado (1974).

6

Conceito introduzido por Maingueneau (1987/1989), de certa forma apoiado no de sociedades discursivas de Foucault (1971/1996): procedimentos de circulação de um discurso, que supõe o regramento das condutas como sinal de pertença a um determinado grupo.

Sobre a autora: Marlene Guirado: Livre-Docente do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. Endereço para correspondência: Rua Canário, 755 – apto 71 – Moema – 04521-003 São.Paulo/SP. Endereço eletrônico: mguirado@terra.com.br.

Interação em Psicologia, Curitiba, jul./dez. 2009, (13)2, p. 323-333

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