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Seguindo o estudo de novas abordagens sobre carreiras, no próximo tópico será abordada outra linha, a carreira sem fronteiras, onde o indivíduo é o responsável por projetar sua própria carreira.

    • 2.3.

      CARREIRA SEM FRONTEIRAS

      • O

        pesquisador Arthur (1994) introduz uma nova linha de pensamento que propõe que

a carreira se torna sem fronteiras, isto é, deixa de ser função de uma relação de emprego. Os trabalhadores deixam de ter assegurada a progressão na hierarquia, a segurança no emprego, a aquisição de benefícios e símbolos de status, e são encorajados a criar e desenvolver seus projetos de carreira, estabelecendo uma relação aberta com a organização.

Grande parte da responsabilidade pela construção da carreira é deslocada, portanto, para o indivíduo. A organização, por sua parte, contribui para a carreira na medida em que constitui fonte de oportunidades para o exercício e desenvolvimento de suas habilidades e competências (MALVEZZI, 2000). A indeterminação e a flexibilidade, características da organização flexível colocam sobre o trabalhador a responsabilidade da criação do seu próprio trabalho, obrigando-o a tornar-se um agente ativo e a apropriar-se de seu destino dentro da empresa.

De acordo com Arthur (1994) a carreira sem fronteiras compreende diversos cenários como:

  • A carreira que atravessa as fronteiras entre organizações, como é comum, por exemplo, no Vale do Silício;

  • A carreira que extrai validade ou negociabilidade fora do atual empregador, como é o caso, por exemplo, da carreira acadêmica;

  • A carreira que se sustenta em redes de relacionamento ou informação que estão fora da organização, como, por exemplo, a do corretor de imóveis;

  • Ou ainda a carreira em que a pessoa escolhe passar um tempo dedicando-se à família ou reciclando-se.

Para Arthur, Claman e De Fillipi (1995), nas carreiras sem fronteiras, os trabalhadores precisam entender as suas razões para trabalhar, precisam tentar construir um sentido para a sua vida profissional e, para tanto, precisam fazer os seus próprios planos pessoais e profissionais. Esse conhecimento e o questionamento permitem que os trabalhadores:

  • Desenvolvam suas habilidades de acordo com a própria vontade;

  • Possibilita o entendimento de seu trabalho no local de trabalho;

  • Possibilita que busquem novas formas de solucionar problemas.

Segundo Arthur, Claman e De Fillipi (1995) a carreira sem fronteiras demanda uma relação negociável, onde ocorre uma troca do trabalho por uma remuneração adequada, onde

  • o

    conceito de sucesso profissional está mais associado a critérios pessoais e onde o indivíduo

é encorajado a se identificar mais com o próprio trabalho e com a sua profissão e menos com uma organização específica.

No entanto, a carreira sem fronteiras também vem sendo alvo de crítica, podendo ser observado em alguns discursos de acadêmicos e dirigentes e nas práticas das empresas (LEGGE, 1995), o que confirma o quão complexo é o tema carreira. Mirvis e Hall (1994) reconhecem que esse tipo de carreira pode trazer alto grau de insegurança e ansiedade para as pessoas. Este fato é observado no quadro 02, com as diferenças entre a carreira tradicional e a carreira sem fronteiras, identificadas no estudo de carreiras.

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