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Segundo Castells (1999) a utilização do termo “organização ou empresa rede” não seria adequada, já que qualquer organização pode ser considerada como uma rede e, consequentemente, ser analisada nestes termos. Uma organização-rede pode ser um tipo específico de organização, mas a simples existência de uma rede de relações não é uma característica que a distingue. Todas as organizações são redes e a forma organizacional depende das características particulares da rede. Por exemplo, uma rede caracterizada de uma subdivisão hierárquica, de deveres e papeis rígidos e relações verticais são geralmente chamada de burocracia. Por outro lado, uma rede caracterizada de flexibilidade, planificação e controle descentralizado e relações laterais, é mais próxima à imagem de uma organização- rede.

2.5. ESTRUTURA ORGANIZACIONAL EM REDES

No Brasil, onde a divisão entre pessoa e indivíduo proposta por Da Mata (1980) é tão crítica para o funcionamento das organizações, o uso da análise de redes sociais, comparando as relações universalistas e personalistas deve produzir uma perspectiva estrutural que não existe na teoria organizacional atual. O uso do “cabide de emprego” estudado por Leeds (1965) e observação feita por Rodrigues e Sá (1982), de que membros das organizações brasileiras assumem funções múltiplas, sugerem que papéis múltiplos e redes múltiplas têm uma influência grande nas organizações brasileiras, o que parece não existir nas organizações européias e norte americanas.

A integração das empresas em rede parece repercutir, diretamente, no desempenho empresarial. Ao mesmo tempo, a natureza, a intensidade e a qualidade das redes existentes e suas interconexões em um determinado território parecem constituir fatores diferenciados no processo de desenvolvimento local. A literatura sobre dinâmica de grupo, incorporada ao estudo do comportamento organizacional, usou redes sociais extensivamente (NELSON, 1984).

A estrutura em pirâmides se baseia nos níveis hierárquicos, no conceito de base larga e topo estreito. O conjunto se afunila a partir de uma base que pode ser mais ou menos ampla, para chegar a um topo no qual pode se encontrar um único integrante – o "chefe". A comunicação entre integrantes de diferentes níveis se faz de cima para baixo ou de baixo para cima, através dos níveis intermediários àqueles que se comunicam. Uma estrutura em rede – que é uma alternativa à estrutura piramidal – corresponde também ao que seu próprio nome indica: seus integrantes se ligam horizontalmente a todos os demais, diretamente ou através dos que os cercam. O conjunto resultante é como uma malha de múltiplos fios, que pode se espalhar indefinidamente para todos os lados, sem que nenhum dos seus nós possa ser considerado principal ou central, nem representante dos demais. Não há um "chefe", o que há é uma vontade coletiva de realizar determinado objetivo. Na estrutura organizacional em rede

  • horizontal – todos têm o mesmo poder de decisão, porque decidem somente sobre sua

própria ação e não sobre a dos outros. Não há dirigentes nem dirigidos, ou os que mandam mais e os que mandam menos. E todos têm o mesmo nível de responsabilidade – que se transforma em co-responsabilidade – na realização dos objetivos da rede (WHITAKER, 1993).

Como redes não comportam centros ou níveis diferentes de poder, a livre circulação de informações – a livre intercomunicação horizontal – torna-se assim uma exigência essencial para o bom funcionamento de uma rede. Todos os seus membros têm que ter acesso a todas as informações que nela circulem pelos canais que os interliguem. Não podem existir circuitos únicos ou reservados, para que canais que eventualmente se bloqueiem não impeçam que a circulação da informação se faça, livre e múltipla (WHITAKER, 1993).

Os elos básicos – os fios – que dão consistência a uma rede são as informações que transitam pelos canais que interligam seus integrantes. Inclusive podem se organizar redes

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