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Planejamento familiar: importância do conhecimento das características da clientela ... - page 7 / 8

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pLanejamento famiLiar: importância do conhecimento das características da cLienteLa para impLementação de ações de saúde

como satisfação com o número de filhos, recursos financeiros limita- dos, saúde etc.

Em um estudo de Vieira et al (2001), verificou-se que dentre as mulheres que tinham um filho, 66% usavam métodos anticon- cepcionais; destas, 40,5% usavam pílula; 10,5%, preservativo; 7%, coito interrompido; 5,5%, tabela; 4%, vasectomia; e 2%, laqueadura. A partir do segundo filho, a freqü- ência da pílula começou a diminuir e a esterilização feminina começou a subir. Estes resultados vêm refor- çar os achados do presente estudo, em que se notou maior uso de mé- todos contraceptivos definitivos na existência de três ou mais filhos e para aqueles indivíduos com três ou menos filhos maior preferência por métodos reversíveis.

Em relação à renda familiar mensal e à adoção de método con- traceptivo, verificou-se na pre- sente pesquisa que a laqueadura/ vasectomia foi a opção mais reali- zada pela maioria dos indivíduos sem renda fixa; entre aqueles com renda de até três salários mínimos houve equivalência pela opção por laqueadura/vasectomia e pelo DIU; já os com acima de três salários mínimos houve preferência por métodos reversíveis, sendo o DIU

  • o

    mais adotado. Estes achados po-

dem estar relacionados à satisfação destes clientes com seu número de filhos, ao recurso financeiro limita- do, o que dificulta a criação de mais filhos e a confiança na eficácia do método cirúrgico.

Os achados deste estudo con- cordam com um trabalho realizado para traçar o perfil de 226 mulhe- res que procuraram atendimento no programa de planejamento fa- miliar em uma Unidade Básica de Saúde do município de Maringá, que também mostrou prevalência de renda mensal entre um e três sa- lários mínimos (81,2%) (Pelloso e Carvalho, 2004).

concluo

Foi evidente a maior participa- ção no programa de Planejamen- to Familiar de mulheres, tanto na população como na amostra do estudo. A baixa participação mas- culina foi coerente com dados na- cionais. Isso confirma a necessidade de haver maior investimento em ações programáticas e de pesqui- sas sobre o tema “homens e saúde reprodutiva”. É fundamental tam- bém levar em conta a opinião dos parceiros, facilitando e estimulando a participação dos homens nas ati- vidades de planejamento familiar.

A opção pela laqueadura foi prevalente na população e confir- ma a tendência nacional; em segui- da veio a opção pelo DIU. Já nos indivíduos participantes do estudo (amostra), o inverso foi observado. Por ter caráter definitivo, a laquea- dura deveria ser um método de ex- ceção e não o mais prevalente na história reprodutiva das mulheres.

A caracterização da clientela mostrou que a maioria apresenta- va idade entre 28 e 38 anos, apre-

sentava condição de união estável, baixa escolaridade e renda, mais de um filho; participou de duas ou mais reuniões do programa de planejamento familiar. Houve ocorrência de gravidez durante o uso do método em dois casos do estudo; apresentou satisfação com

  • o

    método contraceptivo adotado,

porém cerca de um sétimo preten- deu mudar de método e a escolha mais citada foi a laqueadura.

Nas faixas etárias mais jovens, houve preferência pelos métodos reversíveis (DIU e hormonal); já nas mais avançadas, pelos definiti- vos (laqueadura/vasectomia). As- sim como na literatura, este estudo mostrou que a maioria dos indiví- duos que optou pela laqueadura/ vasectomia possuía baixa escolari- dade e estava casada ou em união consensual, possuía até três ou mais de três filhos e era sem renda fixa ou apresentava renda mensal entre um e três salários mínimos. Dos que optaram pelo DIU, a maio- ria apresentava menos filhos, me- lhor escolaridade e renda mensal, também era casada ou em união consensual.

Logo, as necessidades das mu- lheres relacionadas à contracep- ção e direitos reprodutivos não se resumem a métodos e serviços de saúde, mas incluem a situação sócio-econômica-cultural. Envol- vem provavelmente a própria re- presentação atual da maternidade e da desigual participação entre os gêneros, na responsabilidade re- produtiva do casal.

referÊncias

Alves AS, Lopes MHBM. Locus de controle e escolha do método anticoncepcional. Rev Bras Enferm 2007,30(3):273-8.

Brasil. Constituição. República Federativa. Senado Federal, 1988. art 226, § 7º.

Brasil. Ministério da Saúde. Direitos sexuais e direitos reprodutivos: uma prioridade do governo: manual técnico. Brasília: Ministério da Saúde, 2005.

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  • O

    MundO da Saúde o Paulo 2008; 32(4):412-419.

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