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A DANÇA DA QUADRILHA - page 10 / 21

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Textos Escolhidos de Cultura e Arte Populares, vol.4. n. 1, 2007.

francesa, como forma de recriação co- reográfica e musical. Surgem designa- ções que traduzem a intenção do autor no processo composicional: quadrilha carnavalesca, brilhante, elegante, mili- tar, espanhola, facilitada, etc.

As quadrilhas que não obedeciam à seqüência obrigatória da modalidade francesa tinham as figuras numeradas ou nomeadas diferentemente, com os tí- tulos das partes em acordo com o prin- cipal, como, por exemplo, na Quadri- lha das moças,deAntônioJosédosSan- tos Monteiro (1830?-1890?), Joanninha, Idalina, Joaquininha, Arthemia e Estephania; na Quinze de novembro, quadrilha republicana de Francisco de Paula Neves e Seixas (s.d.), Toque de reunir, Marechal Deodoro à frente do Exército, Deposição do Ministério 7 de junho, Proclamação da República e Banimento da Família Imperial.

Havia modalidades de quadrilha cujos títulos ou subtítulos explicitavam um processo composicional. Na Quadrilha cromática, publicada em Ramalhete das Damas por Heaton & Rensburg, por vol- ta de 1848, que obedece ao formato da quadrilha francesa, o autor, não identi- ficado, utiliza cromatismos em todas as idéias musicais que desenvolve nas cin- co figuras. Nas “quadrilhas brilhantes” Sua alteza o amor, de Mazarino de A. Lima (s.d.), e A cascata de cravos, de Francelino Domingos de Moura Pessoa (1830?-1890?), os compositores exigem do pianista habilidade técnica para a execução da peça.

Compositores brasileiros deram um novo sabor às quadrilhas, recriando-as

a partir da mistura de elementos musi- cais de gêneros conhecidos pela socie- dade no século 19, como um hibridismo musical, e introduzindo uma nova for- ma de interpretação, como a praticada por músicos integrantes dos conjuntos de choro.

Por volta da década de 1860,25 alguns compositores designam suas peças “qua- drilhas brasileiras”, como Viagem Im- perial , de Prosper Fleuriet (s.d.), publicada na Revista Popular em mar- ço de 1860; As Nymphas e As Luizinhas, ambas de F. M. Liliozo dos Santos (s.d.), editadas na litografia Castro, em Lisboa; Quilombo, “quadrilha brasileira sobre motivos dos negros”, constituída de Cayumba, Bananeira , Quingombô , Bamboula e Final, de Antônio Carlos Gomes (1836-1896), publicada por Filippone e Tornaghi (1855-1873) na série “Ramalhete de quadrilhas”, nº 22, e Paulista, “quadrilha brazileira” com- posta pelo Dr. Mamede José Gomes da Silva (1826?-1864) e publicada por Bevilacqua & Narciso (1857-1865).

Em partituras de quadrilhas editadas a partir da década de 1870, encontrei autores que explicitam os gêneros mes- clados na composição.

A quadrilha O sarilho das moças, de Antônio José dos Santos (Santos Bocot) (1850?-1910?), foi composta “sobre motivos de modinhas brasileiras”. Capenga, careca & cia.,deA.Versianny (s.d.), e Sonora, de Velho da Silva (1860?-1908), ambas editadas por Nar- ciso & Arthur Napoleão (1869-1877),26 e Ella que o diga, também de Santos Bocot, mas sem indicação de editora,

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