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A DANÇA DA QUADRILHA - page 11 / 21

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Textos Escolhidos de Cultura e Arte Populares, vol.4. n. 1, 2007.

possivelmente I. Bevilacqua & Cia. (1879-1897), são designadas “quadri- lhas-lundu”.

Existem também as quadrilhas que têm relação com o teatro musicado: re- vistas, operetas, mágicas e burletas. Elas podem estar presentes na cena ou não. No caso negativo, a relação que se esta- belece com o teatro é porque o composi- tor utiliza na quadrilha temas musicais que aparecem nas peças teatrais. Na se- gunda metade do século 19, esses com- positores incorporam elementos da polca, da marcha, da valsa, do lundu, da habanera e do maxixe em uma ou mais partes da quadrilha. É oportuno lembrar que existem partituras para te- atro, do mesmo período, que não têm esse perfil, possuindo configuração se- melhante à das quadrilhas francesas da primeira metade do século.

Os Velhos Gaiteiros, “quadrilha-sa- rilho (da actualidade)” arranjada por Jerônimo Emiliano de Souza Queiroz (1857-1936) e publicada pela Viúva Canongia & Cia. (1872-1880), é um belo exemplo do processo do hibridismo musical em voga na década de 1870.27 Nas cinco figuras há indicações de ce- nas e menção a personagens da peça: “O Sr. Antonio Rabello metido em fundu- ras”, “Coro geral das moças: Careca não vai à missa”, “O Sr. Macedo faz decla- ração amorosa a D. Genoveva (jovem de 66 anos), “Ciúmes do Sr. Júlio Tinoco, namorado da sobre-dita” e “Coro geral dos Velhos gaiteiros: Marchons!! Au rencontre des jambons!!!”, etc. Na pri- meira seção da quarta figura há a preci- osa indicação de cena “O Sr. Amaro quer

por força dançar um fadinho”. Além da utilização do fadinho na composição, a análise musical das outras figuras da quadrilha possibilita a identificação, de forma reiterada, de elementos rítmicos da habanera e do maxixe, explicitando

  • o

    processo de hibridismo musical.

    • O

      que nos aponta o Catálogo

de quadrilhas

  • O

    Catálogo de quadrilhas mostra que

ficou, nos acervos da Cidade do Rio de Janeiro, maior quantidade de partituras impressas no Brasil do que provenien- tes de outros países. Mostra também que, ainda que tenham sido encontradas qua- drilhas publicadas em outras cidades brasileiras, a maioria das editoras esta- va sediada no Rio de Janeiro. Das edito- ras estrangeiras, foram identificadas fir- mas alemãs, austríacas, italianas, ingle- sas e portuguesas, embora se destaquem as partituras de quadrilhas editadas na França, na forma de peças isoladas ou inseridas em jornais e revistas que di- vulgavam música.

Do Catálogo constam 1.096 títulos, dos quais 714 partituras: 605 impressas (595 originais e 10 cópias xerox), 102 cópias manuscritas (87 originais e 15 reproduzidas por xerox) e sete manus- critas autógrafas. Constam, ainda, 23 referências a quadrilhas retiradas das fontes bibliográficas e 2.163 impressões de quadrilhas mencionadas nos catálo- gos das editoras brasileiras de música.

A diferença numérica entre partitu- ras impressas (605) e cópias manuscri- tas (102) é compreensível. As peças im-

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