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A DANÇA DA QUADRILHA - page 15 / 21

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Textos Escolhidos de Cultura e Arte Populares, vol.4. n. 1, 2007.

De qualquer modo, pelo período de vida dos autores aqui destacados, nota- se que, com exceção de Musard, eles compuseram quadrilhas a partir do se- gundo ou terceiro quartéis do século 19,

  • o

    que aponta a importância do gênero

no Brasil a partir de então, expressa na quantidade de peças editadas.

Quanto à data exata da publicação de algumas peças, uma fonte possível de sua descoberta seria a petição encaminhada pela editora solicitando o registro dos direitos autorais, muito embora o Catá- logo de quadrilhas contenha peças, em sua maioria, compostas antes da promul- gação da Lei dos Direitos Autorais, de primeiro de agosto 1898. Essa fonte tor- na-se, então, menos relevante porque as composições de quadrilhas começam a declinar no final do século, sendo raras as solicitações de registro de peças iné- ditas, e o comércio editorial se direciona para a reimpressão de quadrilhas já cons- tantes dos catálogos das editoras.

Foram compostas em maior quanti- dade quadrilhas para piano e, em me- nor proporção, para piano a quatro mãos, flauta, banda de música e orquestra. As partituras podiam visar a diversos obje- tivos:

1. Partituras para acompanhar a dan- ça – associadas à coreografia realizada durante o baile [a coreografia aparece impressa na partitura] por vezes a men- cionam.

2. Partituras desvinculadas da reali- zação coreográfica, como peças musicais independentes.

3. Partituras inseridas nas peças tea- trais, em cenas determinadas pelo au-

tor, com indicação da cena ou do texto teatral.

4. Partituras para execuções públicas ao ar livre, podendo ou não estar associ- adas à dança.

A grande quantidade de títulos de quadrilhas publicadas no decorrer do século 19 propiciou que intérpretes de ambos os sexos e de diferentes segmen- tos sociais as interpretassem em muitos contextos. Eles colaboraram na divul- gação e fixação da quadrilha como um importante gênero dos Oitocentos, con- tribuindo assim para a sua longevidade junto à população residente na Cidade do Rio de Janeiro.

À guisa de conclusão

A quadrilha é uma dança de vida lon- ga. Dança de grupo, integrada por pa- res, homens e mulheres, objetivando o lazer e a integração social dos dançari- nos, irradiou-se por muitos países oci- dentais, passando por processos de trans- formações como eliminação, substitui- ção e absorção de elementos coreográfi- cos e musicais, criando um bric-à-brac que nunca parou de mudar.

Ensinada pelos mestres de dança nos salões das elites brasileiras, a quadrilha rapidamente se popularizou, com a aju- da do comércio de partituras impressas no país e no exterior, por sua presença no teatro musicado e pela execução dos músicos populares que a aprenderam “de ouvido” e a divulgaram pela cidade. Sua longevidade deve-se ainda aos compo- sitores brasileiros da segunda metade dos Oitocentos que recriaram a quadrilha,

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