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A DANÇA DA QUADRILHA - page 16 / 21

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Textos Escolhidos de Cultura e Arte Populares, vol.4. n. 1, 2007.

em contínuo processo de hibridismo musical.

Na década de 1860, portanto, cerca de 20 anos após a publicação no país das primeiras quadrilhas, como as qua- tro que integram A Coroação de S. M. I. D. Pedro 2º, em 1841, surge a designa- ção “quadrilha brasileira”, que aponta para uma forma de composição musi- calmente diferente daquela vinda da Europa, sem obedecer ao formato da quadrilha francesa. A partir de então, e cada vez mais, as quadrilhas compostas no país estão impregnadas de gêneros oriundos do exterior ou configurados no país e que aqui se misturaram – polca, habanera, fadinho, marcha militar, val- sa, modinha, lundu e maxixe –, em per- manente diálogo de culturas.

Da quadrilha francesa foi mantida a forma suíte, com as cinco figuras nos compassos binário simples e composto, as frases curtas e os padrões que se re- petem, e cada figura possuindo, de modo geral, 24 ou 32 compassos. A brasilidade se expressará no ritmo, movido e con- tramétrico, resultado da criatividade de nossos compositores, que incorporaram elementos musicais de diferentes etnias, tornando a quadrilha mais divertida e atualizada com o gosto da sociedade.

Com a chegada de novas danças ao país, as já conhecidas pela sociedade não foram imediatamente abandonadas, ha- vendo por alguns anos sobreposição, e não substituição de umas pelas outras, conforme se vê nos programas impres- sos nos carnês de baile e na literatura sobre a dança de salão. No avançar do século 20, as danças oitocentistas, por

tanto tempo apreciadas, desaparecem paulatinamente dos salões da cidade, mas algumas não são esquecidas pela sociedade e se tornam tradicionais. Foi

  • o

    que aconteceu com a quadrilha, que

se transformou e migrou para o ciclo junino.

NOTAS

1

O banco de dados foi desenvolvido graças ao apoio do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular/Iphan, sob a direção de Claudia Marcia Ferreira, local onde Guilma e eu trabalhávamos. Essa institui- ção possibilitou, durante o ano de 1995, os estudos da fase inicial da pesquisa.

2

Designo como “álbum de família” a reu- nião de partituras de autores, gêneros e edições diversas, agrupadas por seu dono, que manda encaderná-las com capa resis- tente formando um volume. A encaderna- ção servia para proteger as partituras dos danos do uso e facilitava o manuseio das peças. Eram muito comuns nos lares bra- sileiros do século 19 e na primeira meta- de do 20.

3

Tinhorão, 1998.

4

O carnê de baile era um acessório indis- pensável de propriedade das damas que o levavam para o baile nos salões elegantes da cidade ou recebiam no local da festa, mas homens também podiam receber carnês. Trata-se de caderninhos, semelhan- tes aos encontrados em Paris, confeccio- nados em materiais e formatos variados – em papel-cartão, revestido de tecido, capa de madrepérola, tartaruga ou marfim, nas formas retangular, quadrada, de leque ou de uma lira –, podendo existir ilustrações e vir anexado um pequeno lápis. Na capa

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