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A DANÇA DA QUADRILHA - page 2 / 21

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Textos Escolhidos de Cultura e Arte Populares, vol.4. n. 1, 2007.

Ao longo dos tempos, a música as- sociada à dança tem estado presente nas mais distintas culturas, como for- ma de lazer, veículo de comunicação com o sobrenatural, catarse social, parte integrante de um rito, como propiciadora das relações entre os se- xos e, em sua transcendência, arte.

Independentemente da forma como se manifeste, a música/dança revela sociedades e comportamentos huma- nos, e trata-se de expressão cultural em contínuo processo de mutação, tan- to quanto a sociedade na qual ela está inserida.

A quadrilha é uma dança de longa existência, havendo dela registros per- passando séculos com variações em tempo e espaço. Resultado da união de elementos de danças européias que se amalgamaram no decorrer do tem- po – especialmente modalidades de contradanças que se uniram pouco a pouco e não pararam de se transfor- mar –, ela chega ao Brasil possivel- mente no segundo quartel do século 19, como uma das marcas das tradi- ções francesas na cultura brasileira, e tem grande destaque no repertório dos bailes da sociedade fluminense.

Meu interesse pelo tema surgiu em 1995, após conversa com Ricardo Go- mes Lima, professor do Instituto de Artes da UERJ e antropólogo do Cen- tro Nacional de Folclore e Cultura Popular, onde fui pesquisadora. Co- mentávamos sobre o revival da qua- drilha na década de 1990, nas festas do ciclo junino, em louvor a Santo Antônio, São Pedro e São João, em

cidades como o Rio de Janeiro, Forta- leza, Salvador, Recife, Caruaru e Campina Grande, locais em que eram promovidos festivais envolvendo mi- lhares de “quadrilheiros”.

Curiosa a respeito da importância social da quadrilha e sabendo de sua longevidade, resolvi consultar fontes bibliográficas e analisar partituras para melhor conhecer esse gênero musical e coreográfico. O levantamen- to inicial mostrou-me a importância de aprofundar o estudo do tema, uma vez que eram sucintas as abordagens encontradas nas fontes bibliográficas. Assim, iniciei o estudo histórico, co- reográfico e musical da quadrilha na Cidade do Rio de Janeiro, centrando a pesquisa no século 19, por acreditar que um olhar aprofundado desse pe- ríodo poderá servir de suporte para estudos posteriores sobre a quadrilha no século 20.

A partir de 1995, realizei o levan- tamento das partituras de quadrilhas em acervos públicos localizados na capital fluminense: Divisão de Músi- ca e Arquivo Sonoro e Divisão de Obras Raras da Fundação Biblioteca Nacional, Museu da Imagem e do Som, Coleção de Música Mozart de Araújo do Centro Cultural Banco do Brasil, Instituto Histórico e Geográ- fico Brasileiro, Biblioteca Alberto Nepomuceno da Escola de Música da UFRJ, Biblioteca Pernambuco de Oli- veira da UniRio, Museu Histórico Nacional e Banda Sinfônica do Cor- po de Bombeiros Militar do Rio de Ja- neiro. Não foram pesquisados os acer-

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