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A DANÇA DA QUADRILHA - page 4 / 21

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Textos Escolhidos de Cultura e Arte Populares, vol.4. n. 1, 2007.

de 1915 (data que coincide com a Pri- meira Guerra Mundial). A escolha des- se catálogo deve-se à constatação de que, no final do século 19 e início do 20, ocorreram profundas modificações sociais no âmbito do lazer, em decor- rência da introdução de novidades que chegavam ao país e que ganhavam es- paço na sociedade, como o cinemató- grafo e o fonógrafo, determinando, com

  • o

    passar do tempo, novas formas de di-

versão e veiculação da música.3 A essas transformações, provenientes de um progresso tecnológico, devem ser soma- das as de teor político, as urbanísticas e sanitárias ocorridas na sociedade de então, assim como as advindas com a Primeira Guerra, momento transforma- dor da história mundial. Tais fatos ge- raram mudanças nos hábitos sociais, assim como na produção musical. Pode- se detectar um declínio de edições de quadrilhas desde o início da República, que culmina nas primeiras décadas do século 20.

Com data posterior a 1915, encon- trei o catálogo da Casa Carlos Wehrs, de 1925, que apresenta uma significati- va mudança no repertório editado, com a diminuição de peças para dança e o desaparecimento da quadrilha.

A ausência da quadrilha nos bailes das elites já se faz notar no carnê do baile4 da inauguração do Hotel Central, no bairro do Flamengo, em 11 de no- vembro de 1916. Em sua programação constam uma Ouverture e as danças que serão executadas por uma orquestra regida por Mr. Pickmann, com menção a valsas, one-steps, tangos, ragtimes,

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polcas e, finalizando, o galop, não cons- tando a quadrilha.5

Buscando remotas notícias da quadrilha na Cidade do Rio de Janeiro

  • O

    oficial da marinha inglesa sir

Graham Eden Hamond esteve no Brasil de 17 de julho a 3 de setembro de 1825 comandando o navio Wellesley, que trou- xe sir Charles Stuart, embaixador ple- nipotenciário da Grã-Bretanha e de Por- tugal, cuja missão era tratar do reconhe- cimento de nossa independência por es- ses países. Hamond voltou ao Brasil no navio Talbot, como almirante-em-chefe do esquadrão do Atlântico Sul, aqui re- sidindo no período da Regência, de 4 de setembro de 1834 a 25 de março de 1838.

Durante as viagens ao Brasil, Hamond redigiu diários6 onde há rela- tos de sua estada. No curto período de 1825, ele menciona, por duas vezes, a dança da quadrilha, ambas na residên- cia do cônsul francês M. Le Comte de Gestas (Aymar Maria Jaques), no bairro da Tijuca, diplomata que tinha como hábito promover reuniões às segundas- feiras. Em primeiro de agosto, Hamond vai à casa de Conde de Gestas acompa- nhado do almirante inglês sir George Eyre, lá encontrando o comodoro fran- cês Gautier da fragata Arèthuse. Mes- mo sendo uma reunião pequena – na maioria franceses e ingleses, com pou- cos brasileiros –, houve dança, mas, de- vido à chuva que ameaçava, “não fica- mos muito tempo, pois a noite não esta-

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