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A DANÇA DA QUADRILHA - page 5 / 21

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Textos Escolhidos de Cultura e Arte Populares, vol.4. n. 1, 2007.

va favorável, mas deixamos os jovens dançando uma quadrilha e galopamos para casa”.7 Na reunião oferecida pelo Conde em 16 de agosto, após o jantar, dirigiram-se à sala de visitas, encontran- do um grupo de oficiais franceses e al- gumas senhoras já conhecidas de Hamond que dançavam quadrilhas e valsas.

Hamond relata em seu diário, em pri- meiro de janeiro de 1838, que a chega- da do Príncipe de Joinville8 à cidade no navio Hercule, acompanhado da corveta La Favorite, desencadeou trocas de vi- sitas com festas marcantes que reuniram a elite local, sendo o príncipe recebido mais de uma vez pelo imperador Pedro de Alcântara.

No dia 20 de fevereiro, três dias an- tes de sua partida, o Príncipe de Joinville retribui a hospitalidade do imperador com uma festa deslumbrante a bordo do Hercule, com a presença de cerca de

    • 1.800

      pessoas a bordo.

      • O

        navio parecia mais um imenso teatro do que um barco de guerra (...). Doze candelabros sobre o convés e seis sobre a popa, cer- cados de uma infinidade de ve- las de cera, davam uma brilhan- te iluminação. Na frente da popa, um sofá estava colocado sobre uma plataforma, para uso da fa- mília imperial e, atrás, assentos para as damas da Corte. A or- questra ficava na parte dianteira do tombadilho, sobre uma plata- forma de 1,20m de altura e as músicas, as mais lindas, foram executadas pela banda do Prín- cipe (...). Na chegada do Impe-

rador, foi executado o Hino Na- cional Brasileiro e o Príncipe conduziu a família imperial até o trono preparado pra ele (...). A dança começou quase imediata- mente, o Imperador dançando com a Princesa Imperial e o Prín- cipe com a mais jovem. Duas quadrilhas se formaram, com os personagens reais participando da primeira. Mais tarde, o Impe- rador e o Príncipe mudaram de q u a d r i l h a s e t i v e r a m c o m o p a r várias das damas. 9

Anos depois, o Jornal do Commercio noticia em francês e português a Gran- de Soirée Vénitienne ou Bal Masqué, a ser realizada no Teatro de S. Francisco no carnaval de 1847,10 com a participa- ção de uma grande orquestra. O anún- cio divulga os preços dos ingressos para

  • o

    baile carnavalesco, segundo a locali-

zação espacial no teatro, e a extensa pro- gramação de quadrilhas a serem execu- tadas, todas de autores estrangeiros, como A. Fessy, Bosisio, Julien, Tol- becque, Storno Bolognini e, em quanti- dade significativamente maior, quadri- lhas de Musard. À meia noite, “confor- me o uso nos teatros franceses durante o Carnaval”, o baile é interrompido com

  • o

    soar de um sino e dois pequenos chi-

neses realizam “Le Grand Tombola”, espécie de loteria com prêmios em obje- tos, no caso, peças de ouro. Participam do sorteio todos aqueles que adquiriram

  • o

    bilhete de entrada e ganharam um

número para concorrer ao jogo.

Uma importante informação é encon- trada no relato do francês F. Dabadie,11 que, em viagem por países da América

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