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A DANÇA DA QUADRILHA - page 6 / 21

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Textos Escolhidos de Cultura e Arte Populares, vol.4. n. 1, 2007.

do Sul, esteve na Cidade do Rio de Ja- neiro. O relato de Dabadie permite as- segurar que a quadrilha era dançada nas festas de Pentecostes no início da déca- da de 1850, no Campo de Sant’Ana, por pessoas do povo, que realizavam coreo- grafia “licenciosa”,12 ou seja, empregan- do movimentos coreográficos diferentes daqueles elegantes dos salões, ao som do barulho “infernal”, provavelmente músicos tocando instrumentos de sopro em conjunto ou banda de música. Nessa época, a quadrilha já estava incorpora- da ao gosto popular e presente nas fes- tas públicas fluminenses.

  • O

    prazer que a sociedade fluminense

tinha pelas reuniões, com concertos, fes- tas e bailes, exacerbou-se a partir da década de 1840; o Segundo Reinado bra- sileiro copiava as festas do Segundo Império francês. Nas reuniões promo- vidas nos amplos salões das residências abastadas e nos Paços (o de São Cristó- vão e o da Cidade), além de ser servido

  • o

    que comer e beber, havia apresenta-

ções musicais e muita dança, com a qua- drilha sempre presente, o mesmo acon- tecendo em outros espaços, não residenciais, que serviam para os encon- tros festivos. Os clubes, sociedades e grêmios promoviam jogos, concertos e bailes públicos, alguns deles restritos a determinados segmentos sociais, como a Casa do Baile do Catete,13 a Assem- bléia Estrangeira,14 a Sociedade Praia- Grandense, na Praia Grande (Niterói),

  • o

    Club Fluminense e o Cassino Flumi-

nense, locais de grande estima da popu- lação e freqüentados pelos estrangeiros ilustres, a elite fluminense e, por vezes,

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a família imperial. Nos bairros da cida- de existiram outros locais para bailes públicos, com os nomes de Campestre, Sílfide, Vestal, Ulisséia, Club Guanaba- ra, Grêmio das Violetas, Club do Enge- nho Velho, Club dos Gerondinos, Real Club Gymnastico Portuguez, Cassino Nacional Brasileiro, Congresso Gym- nastico Portuguez, Grêmio da Tijuca.15

No decorrer do século 19, a socieda- de fluminense usou esses e outros espa- ços para dançar a contradança, a valsa, a polca, a mazurca, o schottisch e a qua- drilha. Para que os dançarinos tivessem um bom desempenho nos bailes, mes- tres especializados no ensino da dança, homens e mulheres, tornavam-se neces- sários, havendo anúncios nos jornais de profissionais que se propunham a ensi- nar “a dansar as senhoras e homens, em pouco tempo, a 8$ mensaes”.16 As core- ografias eram aperfeiçoadas com mes- tres danseurs buscados em carruagens luxuosas para ministrar as aulas, sendo mais bem remunerados do que os pro- fessores de línguas.17

Nos anos que antecedem a República diminui a importância da dança nos bai- les da elite, mas ela continua presente em muitas festas brasileiras.

Delineando a coreografia e a música da quadrilha

Desde o século 17, eram dançadas na Inglaterra as country dances, termo que designa grande variedade de danças re- alizadas no campo, mas também prati- cadas na corte inglesa, que tinham duas bases coreográficas: round elongway,ou

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