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HISTÓRIA, LITERATURA E GÊNERO

Gabriella Lima de Assis

1

Claudionor Aguero dos Santos

2

Como todo tipo de arte, a Literatura está vinculada a sociedade em que se origina. Não há artistas completamente indiferentes à realidade, pois, de alguma forma, todos participam e interagem com a sociedade. Partindo das experiências pessoais e sociais, o artista recria a realidade. Ao fazer isso, ele transmite seus sentimentos e idéias. A obra literária é resultado das relações dinâmicas entre escritor e sociedade. Mesmo que a Literatura não esteja necessariamente presa a essa sociedade, é possível acompanhar a História observando a relação entre suas transformações e os diversos momentos da História da Literatura.

Sendo assim, como historiadora utilizo a narrativa literária de O Quinze para pensar as questões de gênero da sociedade brasileira do início do século XX. Para tanto, parto da relação de fronteira entre a História e a Literatura interrogando o que a fonte escolhida transmite de seu tempo e a forma como o faz.

Na História da Literatura brasileira, O Quinze está inserido na segunda fase modernista (1930-1945), movimento inaugurado em 1922 com a Semana de Arte Moderna cujo objetivo era a remodelação da arte brasileira, reagindo às formas tradicionais das artes plásticas e da literatura e criticando os padrões considerados arcaicos e a invasão estrangeira que despersonalizava o Brasil.

Enquanto a primeira fase modernista teve a preocupação com a ruptura de estruturas do passado e a busca de uma cultura brasileira, a segunda fase modernista é um amadurecimento dessa primeira fase, possuiu uma tendência social e intimista e tem a seca nordestina como principal temática.

Dividido em vinte e cinco capítulos, todos sem título, O Quinze é o romance de estréia de Rachel de Queiroz, cuja narrativa foi inspirada na seca nordestina de 1915, que obrigou sua própria família a migrar para outras regiões do Brasil (MENEZES, 1998), fora publicado no ano de 1930 e entrou para a História da Literatura brasileira como referência obrigatória do ciclo de romances nordestinos que se tornaram típicos nas primeiras décadas do século XX.

Para Constância Lima Duarte (2003), o século XX já inicia com uma movimentação inédita de mulheres mais ou menos organizadas, que clamam alto pelo direito ao voto, ao curso superior e à

1 Mestranda em História da Universidade Federal do Mato Grosso - UFMT. (gabriella.lima@gmail.com) 2 Graduado em Filosofia pela UFMT, professor de Filosofia do Seminário Teológico Batista do Mato Grosso - STBMT, aluno especial do Mestrado em História da UFMT. (claudiosan23@hotmail.com)

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