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HOMOSSEXUALIDADE E PRECONCEITO: ASPECTOS DA SUBCULTURA - page 11 / 14

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que a tolerância visa fundamentalmente manter claros os limites da comunidade. Assim, os órgãos de segurança controlam mais do que reprimem, e esta liberdade vigiada e concedida acaba carregando todas as seqüelas do preconceito (Costa, 1992).

Ainda que seja um espaço conquistado para a livre manifestação de comportamentos socialmente desviantes do padrão, o gueto na verdade não deixa de ser “lugar de bicha e lésbica”, com tudo o que implica de compartimentalização e isolamento. (Trevisan, 2000: 471).

Entre seus iguais (em termos de estigma) o homossexual pode estabelecer uma identidade positiva, mas corre o risco de viver em um mundo incompleto e artificial se ficar muito preso à comunidade gay. A segregação é o preço que se paga pela reivindicação de um espaço onde os homossexuais possam viver plenamente sua sexualidade. Neste sentido, pode-se pensar que a comunidade é, no fundo, uma acomodação dos homossexuais a seu estatuto de estigmatizados. O autor acima também aponta para o fato de que o crescimento do mercado gay incentivou a expansão da comunidade homossexual para além de seus limites tradicionais.

Segundo Kates (1998), o comportamento de consumo dos homossexuais que participam da subcultura gay está diretamente ligado à aceitação e revelação de sua identidade. Neste sentido, determinados rituais de consumo podem servir para esconder a identidade homossexual, explorá-la, revelá-la para outras pessoas, formar laços com a comunidade ou para expressar raiva e oposição à cultura heterossexual dominante. Goffman ([1963] 1988) adota um raciocínio semelhante quando afirma que determinados objetos podem ser entendidos como símbolos de estigma ou de identidade, permitindo que o homossexual se revele. Ainda segundo Kates (1998), os conceitos que descrevem a condição humana (tais como amor, ódio, opressão, poder, dinheiro, liberação e luta) são intangíveis e não podem ser representados visualmente por si sós. Assim, eles precisam ser simbolizados por objetos (produtos ou possessões) ou representados dentro do contexto de certas atividades (rituais, por exemplo) nos quais as pessoas lhes outorgam significados. Desta forma, a identidade, a subcultura e a comunidade gay seriam representadas, visual e materialmente, através de vários comportamentos de consumo e utilização criativa de produtos e serviços.

O mercado gay que se desenvolveu nos últimos anos uniu sexualidade e economia de uma forma nunca antes vista, transformando o que se convencionou chamar de “estilo de vida homossexual” em complicadas transações comerciais. De

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