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HOMOSSEXUALIDADE E PRECONCEITO: ASPECTOS DA SUBCULTURA - page 2 / 14

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fronteiras pessoais, sociais, culturais e nacionais. Segundo Crocker e cols. (1998), alguns membros de grupos estigmatizados, tais como os homossexuais, são capazes de romper com os estereótipos negativos, desenvolvendo uma consciência grupal positiva. Esta consciência grupal envolveria três aspectos básicos: o reconhecimento de que certas desvantagens não são derivadas de experiências pessoais, mas que se estendem a outros membros do grupo; o julgamento de que o status minoritário e desvantajoso do grupo é ilegítimo e derivado de preconceito, discriminação e exploração; e o desenvolvimento de uma identidade grupal positiva. Para que esta identidade seja possível, membros do grupo precisam acreditar que uma sociedade mais justa pode ser construída através de esforço coletivo, o que por sua vez permite que os indivíduos se organizem e lutem por mudanças sociais. Surgem assim, nos grandes centros urbanos, as comunidades homossexuais.

Seguindo o caminho proposto por Kates (1998), definimos comunidade como um grupo de indivíduos que possuem um vínculo comum que os distingue de outros indivíduos. Pessoas que participam de uma comunidade compartilham uma relação social, conhecida por eles, que pode ser tanto anônima como face-a-face. No caso mais específico dos homossexuais, a comunidade também implicaria em alguma espécie de identidade compartilhada. Em outras palavras, pode-se dizer que a subcultura é um tipo especial de comunidade, no sentido de que toda subcultura é uma comunidade, mas toda comunidade não é, necessariamente, uma subcultura. No caso brasileiro, no entanto, pelo menos no que se refere à cidade do Rio de Janeiro, podemos falar tanto em subcultura quanto em comunidade homossexual.2

Segundo Altman (apud Badinter, 1992), uma comunidade gay não se limita às redes de amizades, nem aos bares, restaurantes e saunas. Ela é, na verdade, um conjunto de instituições (incluindo clubes sociais e políticos, publicações, grupos religiosos, centros comunitários) que representam um sentimento de valores compartilhados e uma vontade de afirmar uma identidade homossexual. Vale ressaltar ainda que ao contrário de outros tipos de comunidade (principalmente aquelas organizadas em torno de raças, etnias ou religiões), a comunidade homossexual tem como sua unidade básica, não a família, mas o indivíduo, o que significa que a pessoa escolhe participar dela. Da mesma forma, não é necessário que o dia a dia do

2 De acordo com Parker (1999) os termos “subcultura” e “comunidade” são utilizados pela maioria dos pesquisadores de formas altamente imprecisas, muitas vezes não ficando claro o que distingue uma “subcultura” de uma “comunidade”.

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