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HOMOSSEXUALIDADE E PRECONCEITO: ASPECTOS DA SUBCULTURA - page 3 / 14

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homossexual gire em torno da comunidade para que ocorra algum tipo de identificação com esta.

A afirmação pública da identidade homossexual e da existência de uma comunidade homossexual que mal saiu da sombra vai até a organização econômica, política e espacial. Isso levou, nos grandes centros urbanos americanos, à formação de guetos, o que significa, segundo a definição clássica desse termo, bairros urbanos habitados por grupos segregados do restante da sociedade, levando uma vida econômica relativamente autônoma e desenvolvendo uma cultura própria. (Pollak, 1985: 70)

Uma subcultura homossexual, similar àquelas que floresceram nos Estados Unidos na virada do século, também existiu no Rio de Janeiro, impulsionada pela apropriação do espaço urbano (Green, 1999; Trevisan, 2000). O termo espaço homossexual refere-se a lugares da cidade que possuem uma forte presença homossexual, podendo ser igualmente compreendido como uma manifestação física da comunidade gay. De acordo com Crocker e cols. (1998), uma maior presença de indivíduos similarmente estigmatizados num meio ambiente determinado ocorre por motivos vários, tais como: a segregação forçada por causa da discriminação, a preferência pelo contato com pessoas similares e a sensação de estar em um ambiente social seguro, onde o indivíduo pode expressar sua sexualidade sem preocupação ou ansiedade. A existência de um espaço homossexual elevaria a auto-estima destes indivíduos pois, segundo Myers (2000), as pessoas também se auto-avaliam pela participação em grupos. Ter um senso de “nós” fortalece o auto-conceito do indivíduo, fazendo com que este procure respeito para si próprio e orgulho dentro de seu grupo. Visto que a identidade dos homossexuais é estigmatizada na nossa sociedade, o pertencimento a um grupo que rejeita os valores heterossexuais permite a afirmação de sua individualidade e normalidade perante uma sociedade que os condena (Aronson, 1999).

Como nos apontam Pritchard e cols. (1998), noções de espaço e lugar são de fundamental importância em qualquer discussão sobre comunidade e identidade gay, sobretudo porque - em resposta ao meio preconceituoso em que vivem - indivíduos homossexuais só podem ser eles mesmos (isto é, mostrar sua orientação sexual) em lugares específicos, geralmente aqueles voltados ao entretenimento, com tudo o que isto implica de limitação e artificialidade. Ao contrário do que se pensa, a rua não é um lugar assexuado, mas é freqüentemente considerada um espaço heterossexual por

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