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HOMOSSEXUALIDADE E PRECONCEITO: ASPECTOS DA SUBCULTURA - page 4 / 14

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excelência. Os heterossexuais não valorizariam esta característica da rua da mesma forma em que não valorizam a liberdade que possuem para expressar suas identidades em todas as esferas sociais, sejam estas relacionadas com o trabalho, casa ou entretenimento. Visto que o espaço também pode ser contestado, a heterossexualidade da rua não é imutável e sua sexualidade está sendo constantemente desafiada e re-estabelecida. Assim, muitos heterossexuais preconceituosos buscam negar a presença legítima de homossexuais nas ruas através de mostras de desaprovação, sanções oficiais ou agressão. Neste sentido, são comuns as expressões do tipo “vamos limpar as ruas destes doentes” ou “aqui não é lugar para este tipo de gente”, pois o controle sobre a forma como o espaço é produzido é fundamental para a habilidade dos heterossexuais de reproduzirem sua hegemonia.

Parte do desafio à heterossexualidade da rua tem sido o desenvolvimento de espaços que podem ser identificados tanto por homossexuais quanto por heterossexuais como espaços gays. Em outras palavras, uma complexa geografia sexual seria organizada e distribuída em um mapa cultural de espaços físicos concretos. Estes espaços possibilitam demonstrações públicas de afeto (tais como andar de mãos dadas, beijar, tocar, olhar amorosamente e usar expressões carinhosas) e de determinados tipos de comportamento, permitindo igualmente que os homossexuais tenham acesso a uma série de serviços e facilidades, incluindo bares, restaurantes, boates, lojas, moradia e serviços médicos e legais. Apesar de estarmos falando de espaços físicos concretos, Freitas e cols. (1996) apontam para a questão de que o espaço gay também pode ser abstrato e transitório, isto é, um “espaço experiencial” que vai desde o reconhecimento de um outro homossexual em um lugar público, passando pelo ato de ver uma notícia no jornal sobre homossexuais ou assistir a um beijo gay na televisão, até deparar-se com um anúncio voltado para o público homossexual. Não obstante sua transitoriedade, estes “espaços experienciais” provêem refúgio do preconceito do dia a dia e confirmam a subcultura homossexual. Segundo Hughes (1997) os espaços gays (sejam concretos ou experienciais) também fazem com que a identidade gay seja estabelecida e confirmada através de relacionamentos com outros homossexuais. É preciso deixar claro, igualmente, que

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