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HOMOSSEXUALIDADE E PRECONCEITO: ASPECTOS DA SUBCULTURA - page 5 / 14

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mesmo que estes lugares não sejam freqüentados por todos os homossexuais3, eles acabam representando a comunidade.

Tomando como referência o trabalho de Goffman ([1963] 1988) sobre estigmas, podemos dizer que o homossexual que participa destes ambientes segregados sente-se à vontade entre indivíduos similarmente estigmatizados, ao mesmo tempo em que pode descobrir que pessoas conhecidas (que ela não considerava suas iguais) na verdade o são. Esta situação é bastante comum quando, por exemplo, homossexuais encontram maridos de amigas ou familiares em locais de freqüência gay. Por outro lado, existe a possibilidade de que um homossexual não-assumido seja subitamente desacreditado se uma pessoa não-estigmatizada que ele conheceu em outro lugar o vir em um destes espaços. Importante mencionar ainda que apesar dos homossexuais sentirem-se seguros nestes espaços, os mesmos também facilitam agressões, já que heterossexuais preconceituosos se dirigem especificamente a estes locais quando desejam cometer algum tipo de violência. Não obstante este perigo potencial, espaços gays provêm um sentimento de comunidade, território, ordem, controle e poder, podendo ser compreendidos como lugares de resistência cultural com um enorme significado simbólico. Vale ressaltar que embora não se tenham desenvolvido guetos no Rio de Janeiro, isto é, bairros gays claramente delimitados, muitos locais da cidade tornaram-se, desde o século passado, pontos de encontros homossexuais. Assim, em virtude destas diferenças, na citação de uma subcultura homossexual carioca cabe mais a utilização do termo “comunidade” do que da palavra “gueto”, esta mais característica de uma subcultura norte-americana.

... seria um erro olhar para esta subcultura como apenas uma importação do exterior – uma versão ligeiramente tropical da comunidade gay que existe na Europa ou nos Estados Unidos. Claramente ela tem sido, e continua a ser, profundamente influenciada por modelos e forças externas, mas esta subcultura gay também continua a responder, em uma variedade de maneiras, a particularidades do contexto social e cultural brasileiro. (Parker, 1999: 46; tradução nossa)

Segundo este autor, a emergência de subculturas homossexuais está enraizada em um sistema econômico e social específico, ligado aos processos de

3 De acordo com Trevisan (2000), um grande número de homossexuais não aceita e detesta confundir-se com a comunidade gay, não freqüentando-a em hipótese alguma. Tal como resume Costa (1992), “Dando um enorme peso à sexualidade na definição da identidade do sujeito (...) a subcultura gay não atende, como seria previsível, a pluralidade de aspirações dos sujeitos homoeroticamente inclinados.” (Costa, 1992: 164)

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