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HOMOSSEXUALIDADE E PRECONCEITO: ASPECTOS DA SUBCULTURA - page 8 / 14

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substituído por um modelo teatralmente masculino: os supermachos vestiam roupas de couro, botas pesadas e usavam cabelo curto, barba e bigode, apoiando um conceito de virilidade tradicional.

Multiplicam-se os bares “sadomasoquistas”, freqüentados por homossexuais fascinados por objetos tipicamente masculinos, como correntes, botas, quepes. Nesses “bares-couro”, brinca-se de ser homem, homem de verdade. (Badinter, 1992: 163)

O desejo de parecer forte, livre e ativo faz com que as “bichas loucas” de outrora sejam objeto de total desprezo. As imagens míticas deste período são o cowboy, o motorista de caminhão, o policial, o bombeiro e o esportista. Não obstante a mudança do modelo de “bicha louca” para o de “supermacho”, deve ficar claro que ambos são imitações alienantes dos estereótipos de masculinidade e feminilidade, e homossexuais que adotam qualquer um destes modelos não fazem mais do que reforçar os padrões heterossexuais dominantes.

A partir da década de 90 o modelo de homossexual supermacho parece ter arrefecido em prol de um culto ao corpo, com elementos claramente andróginos, característico do subgrupo das barbies. Autores como Fry & MacRae (1983) apontam para o forte preconceito que este fenômeno provocou dentro da comunidade gay: os homossexuais efeminados, feios, velhos, pobres ou negros, que não se encaixam neste padrão de beleza são estigmatizados e excluídos. Apesar de não abordarmos aqui a questão das diferenças de classe social e raça dentro da subcultura gay carioca, a prevalência do preconceito ligado a estas divisões hierárquicas não deve ser de forma alguma subestimada. É preciso estar atento, não obstante, para o fato de que as divisões de raça e classe características da sociedade brasileira em geral também estão refletidas nas interações entre os homossexuais.

Tal como mencionado anteriormente, apesar do Rio de Janeiro não possuir um gueto homossexual claramente delimitado, isto é, bairros exclusivamente gays, os pontos da cidade que são utilizados como locais de encontro de homossexuais acabam tornando-se áreas privilegiadas para o entretenimento e a moradia destes indivíduos. Atualmente, entre os bairros de grande presença homossexual (incluindo residentes e estabelecimentos comerciais direcionados a este público) podemos citar: Centro,

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