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Poema do mais triste maio

Meus amigos, meus inimigos Saibam todos que o velho bardo Está agora, entre mil perigos, Comendo em vez de rosas, cardo. Acabou-se a idade das rosas! Das rosas, dos lírios, dos nardos E outras especies olorosas: É chegado o tempo dos cardos. E passada a sazão das rosas, Tudo é vil, tudo é sáfio, árduo. Nas longas horas dolorosas Pungem fundo as puas do cardo. As saudades não me consolam. Antes ferem-me como dardos. As companhias me desolam E os versos que me vêm, vem tardos. Meus amigos, meus inimigos, saibam todos que o velho bardo Está agora, entre mil perigos, Comendo em vez de rosas, cardo.

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