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Arlequinada Que idade tens, Colombina? Será a idade que pareces?... Tivesses a que tivesses! Tu para mim és menina. Que exíguo o teu talhe! E penso: Cambraia pouca precisa: Pode ser toda num lenço Cortada a tua camisa... Teus seios têm treze anos. Dão os dois uma mancheia... E essa inocência incendeia, Faz cinza de desenganos... O teu pequenino queixo - Símbolo do teu capricho – É dele que mais me queixo, Que por ele assim me espicho!

Tua cabeleira rara Também ela é de criança: Dará uma escassa trança, Onde eu mal me estrangulara! E que direi do franzino, Do breve pé da menina?... Seria o mais pequenino No jogo da pampolina... Infantil é teu sorriso. A cabeça, essa é de vento: Não sabe o que é pensamento E jamais terá juízo... Crês tu que os recém-nascidos São achados entre as couves?... Mas vejo que os teus ouvidos Ardem... Finges que não ouves... Perdão, perdão, Colombina! Perdão, que me deu na telha Cantar em medida velha Teus encantos de menina...

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