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OS SAPOS

A propósito desta sátira, devo dizer que a dirigi contra certos ridículos do pósparnasianismo. É verdade que nos versos A grande arte é como / Lavor de joalheiro parodiei o Bilac da ‘Profissão de fé’ (Imito o ourives quando escrevo). Duas carapuças havia, endereçada uma ao Hermes Fontes, outra ao Goulart de Andrade. O poeta das Apoteoses, no prefácio ao livro, chamara a atenção do público para o fato de não haver nos seus versos rimas de palavras cognatas; Goulart de Andrade publicara uns poemas em que adotara a rima francesa com consoante de apoio (assim chamam os franceses a consoante que precede a vogal tônica da rima), mas nunca tendo ela sido usada em poesia de língua portuguesa, achou o poeta que devia alertar o leitor daquela inovação e pôs sob o título dos poemas a declaração entre aspas: “Obrigado à consoante de apoio”.

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