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Qualidade de vida, terceira idade e atividades físicas - page 10 / 12

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M. Pascoal, D. S. A. Santos & V. V. Broek

Considerações Finais Pela participação predominantemente de mulheres na pesquisa, a terceira idade pode ser ilustrada como uma questão de gênero. Foram pesquisadas de 43 mulheres e apenas 9 homens. Segundo dados do IBGE, há uma concentração feminina nos grandes centros urbanos de alguns Estados, dentre eles, o Estado de S. Paulo.

Isto não ocorre apenas no Brasil. Na América Latina há uma tendência à feminização da velhice, sendo que no período de 1970 a 2025, o índice total de idosos será ampliado de 9,8% para 40,6%, e o contingente feminino da população idosa deverá passar de 5,3 para 23,1%.

1970

9,8

4,5

5,3

6,1

2,6

3,5

3,7

1,9

1,8

2000

17,0

7,5

9,5

13,0

5,4

7,5

4,0

2,1

2,0

2025

40,6

17,5

23,1

33,3

13,9

19,5

7,2

3,6

3,6

Fonte: CELADE (AMÉRICA... 1999)

Tabela 1. América Latina – Índice de Idosos por Condição de Domicílio e Sexo – 1970/2025

Período

Total

Total Homens Mulheres

Total

Urbana Rural Homens Mulheres Total Homens Mulheres

Na área urbana, a ampliação da população idosa do sexo feminino, representa o mais importante componente da variação do Índice de Idosos na América Latina no período considerado: deverá passar de 3,5%, em 1970, para 19,5%, em 2025. Os índices de mortalidade na vida adulta e senil por sexo contribuem para o processo de feminização da velhice, sendo comum um grande número de viúvas entre os idosos.

Além da questão acima citada, observou-se, na presente pesquisa, que as mulheres parecem vivenciar mais intensamente a terceira idade como uma nova etapa da vida. Tais diferenças de gênero não podem ser ignoradas e serão objeto de outra pesquisa.

A pesquisa revelou que os idosos têm prazer em contar suas memórias. Ao coletar os dados, isso ficou evidente principalmente no grupo 1. Algumas histórias de vida que foram coletadas junto a esse grupo, serão objeto de outra análise.

A faixa etária dos dois grupos pesquisados envolveu dezoito indivíduos na faixa de 50 a 59 anos, sete na faixa de 60 a 64 anos, quatro na faixa de 65 a 70 anos, seis na faixa de 71 a 74, onze na faixa de 75 a 80 e seis acima de 80, totalizando cinqüenta e dois indivíduos entre os dois grupos. A faixa etária que vai dos 50 aos 64 anos só apareceu no grupo 2.

Quanto à atividade física, 94% do grupo 1 a praticam, sendo que 88,89% praticam duas vezes por semana ou mais, enquanto que no grupo 2, 70,58% o fazem regularmente e 67,64% praticam duas vezes por semana ou mais. O tempo médio de duração da prática para os dois grupos é de uma hora.

226

A caminhada foi a atividade física preferida pelos respondentes dos dois grupos, sendo que no grupo 1 apareceram a ginástica e o ciclismo em segundo lugar por número de menções, ao passo que no grupo 2 apareceram o alongamento e a hidroginástica. Novamente aqui aparece uma diferença marcante entre os dois grupos. Conforme apontado na caracterização do grupo 1, os holandeses utilizam, em grande escala, a bicicleta como meio de transporte. Isso, provavelmente, explica a presença de “ciclismo” apenas para

  • o

    grupo 1, como uma das atividades físicas mais praticadas.

Neste grupo também apareceram preferências diversificadas, não comuns no Brasil para essa faixa etária, como o golf e a cavalgada.

A totalidade do grupo 1 e a quase totalidade do grupo dois disseram gostar de praticar atividade física.

No que se refere ao motivo da prática, o grupo 1 apontou “satisfação pessoal”, com 53,57% das menções; “prescrição médica”, com 25% e “fazer amigos”, com 14,28%. O grupo 2 apontou “prescrição médica”, com 38,29% das menções; “satisfação pessoal”, com 38, 29% e “fazer amigos” com 17,02%, como dados mais significativos. Esses dados podem significar que, na visão do idoso, a atividade física vincula-se mais ao prazer da execução do gesto do que à performance do mesmo. Importa-lhe a permanência na atividade, o prazer de participar, conhecer pessoas, fazer amigos.

No que se refere à representação sobre qualidade de vida, podemos dizer que a sua definição, segundo a OMS, contempla duas concepções – a) Subjetividade – interessa o conhecimento sobre as condições físicas, emocionais e sociais relacionadas aos aspectos temporais, culturais e sociais como são percebidas pelo indivíduo; b) Objetividade das condições

Motriz, Rio Claro, v.12, n.3, p.217-228, set./dez. 2006

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