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Qualidade de vida, terceira idade e atividades físicas - page 2 / 12

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M. Pascoal, D. S. A. Santos & V. V. Broek

  • O

    Estatuto do Idoso (BRASIL, 2003) classifica como

idoso o indivíduo com idade igual ou superior a 60 anos, embora se saiba que o início da velhice varia segundo as condições locais de desenvolvimento humano. Assim, em países desenvolvidos, o início da velhice pode ocorrer aos 65 anos, aproximadamente, ao passo que em outros países isso pode ocorrer aos 60 anos.

Embora a literatura aponte que a Terceira Idade é a faixa etária que vai dos 60 ou 65 aos 70 anos, usa-se o termo, neste trabalho, para designar todos os indivíduos, homens e mulheres, na faixa etária acima dos 50 anos, que correspondem à meia idade e os acima de 70 anos, que, segundo Duarte (1999) refere-se a ancianidade e última senectude.

  • O

    crescimento da população de idosos é um fenômeno

mundial ocorrendo, inclusive, nos países do terceiro mundo. Esse grande número de população acima de 60 anos se deve ao prolongamento da esperança de vida, fato que, segundo dados do IBGE (INSTITUTO..., 2005) e também apontado por autores como Passarelli (1997) e Monteiro (1994) está

relacionado,

de

forma direta,

com as

condições

mais

adequadas

de

saneamento

básico,

com a

maior

disponibilidade

de

acesso

a

serviços

de

saúde

para

um maior

número de indivíduos e com a diminuição mortalidade infantil e taxas de natalidade.

do

índice

de

  • O

    grupo formado por pessoas acima de 80 anos alcançou

2,4 milhões em 2005, sendo que as mulheres constituem a maioria neste grupo (62 homens para cada 100 mulheres). Os dados mostram que há uma concentração feminina nos grandes centros urbanos nas Regiões Metropolitanas de Porto Alegre, Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro e Recife, onde a mulheres deste grupo representam mais que o dobro do número de homens idosos (INSTITUTO..., 2005) .

Conforme Moreira (2001), a OMS aponta para o Brasil, um crescimento de dezesseis vezes contra cinco da população idosa total, entre 1950 e 2025. O Brasil, em termos absolutos, será a sexta população de idosos do mundo, isto é 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais entre os anos 2020 e 2025. O crescimento populacional é um indício de que o estudo científico sobre o envelhecimento no Brasil precisa ser intensificado.

A nova fase de vida que o indivíduo enfrenta, quando se torna idoso, não tem sido objeto de atenção pelas políticas públicas. Várias são as discriminações sobre essa classe populacional. Os idosos geralmente são marginalizados, desprezados, esquecidos, possuindo uma enorme carência

emocional. Os serviços públicos são de péssima qualidade e a aposentadoria, aqui no Brasil, é insignificante.

Simões (1998) menciona que a própria expressão “velho” contribui para denegrir a imagem do idoso, uma vez que pode significar perda, deterioração, fracasso, inutilidade, fragilidade, antiguidade, decadência, algo gasto e descartável etc. Diz a autora que a expressão “idoso” é menos agressiva, porém não possui grande penetração em todas as classes sociais, restringindo-se apenas à classe social dominante.

De acordo com a autora, a tendência de marginalizar os idosos da sociedade brasileira é resultado dos condicionamentos socioculturais. As restrições que são impostas aos idosos pela própria sociedade e pela mídia é que não permitem que os idosos vivam intensamente tanto quanto os jovens. Culturalmente, há coisas para jovens e coisas para velho. É como se as grandes emoções do ser humano, como o amor, por exemplo, só fossem permitidas aos jovens. Igualmente, há restrições nas maneiras de vestir, de falar, de andar, de se exercitar etc.

Porém, o processo de envelhecimento é biológico e, como tal, todos um dia passaremos por esse processo que leva a um declínio das capacidades físicas, com grandes repercussões sociais e psicológicas.

Na perspectiva biológica são grandes as modificações que ocorrem no organismo dos idosos e podem ser observadas em todos os aparelhos e sistemas: muscular, ósseo, circulatório, pulmonar, endócrino e imunológico. Caracterizam-se pela perda das reservas funcionais, embora dependam também dos determinantes genéticos que regulam a longevidade e das condições e estilo de vida.

  • O

    processo de envelhecimento é irreversível, porém pode

ser acelerado ou desacelerado por fatores ambientais e comportamentais, exercendo grande influência sobre ele as doenças e a inatividade. (NAHAS, 2003, P. 162)

Na perspectiva psicológica pode-se dizer que o modo como os idosos são vistos, ou tratados, e o fato de haver um declínio nas atividades que desenvolviam anteriormente, contribuem significativamente para que eles percam a iniciativa, a motivação e a auto-estima.

As

características

do

envelhecimento

psicológico

envolvem a recusa da situação de velho, a perda da vontade de executar tarefas habituais, a perda da memória, algumas anomalias de caráter e afetividade e apresentação de conduta conservadora. (MEIRELLES, 1997). Todos esses sintomas, porém, não ocorrem isoladamente, uma vez que nosso mundo

218

Motriz, Rio Claro, v.12, n.3, p.217-228, set./dez. 2006

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