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Qualidade de vida, terceira idade e atividades físicas - page 3 / 12

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Qualidade de vida, terceira idade e atividades físicas

interno se constrói a partir das relações sociais vividas pelo homem.

envelhecer faz parte de um fenômeno de corporeidade, que é natural.

Na perspectiva sociológica, o envelhecimento tem como característica principal o isolamento social.

Para Carstensen (apud Neri, 1995), a redução das interações sociais na velhice é explicada por três teorias: a teoria do afastamento, a teoria da atividade e a de trocas sociais. De acordo com a primeira, a redução do contato social ocorre a partir de um mecanismo adaptativo através do qual há uma dissociação recíproca entre indivíduo e sociedade. A segunda, teoria da atividade, é oposta à primeira, uma vez que diz que os idosos desejam manter contatos sociais, embora sejam prejudicados pelas barreiras impostas pela idade. A terceira, teoria das trocas sociais, aponta que as restrições que são impostas pela velhice causam uma diminuição na amplitude das relações sociais.

A partir do momento que o idoso conquista espaço de informação e sociabilidade, sua representação a respeito de si mesmo se altera: a imagem de uma velhice monótona, sofrida, estereotipada perde aos poucos sua força e se desfaz.

A atividade física e o idoso

Entende-se a atividade física como

A atividade física pode ser considerada uma prática preventiva, capaz de levar o idoso a viver a vida de maneira mais prazerosa.

  • O

    movimento corporal, através dos exercícios físicos

direcionados para este segmento promove uma vivência de bem-estar

populacional, , auto-estima e

longevidade, claramente exposta no semblante alegre e em um corpo desperto e ágil. (MOREIRA, 2001, p. 13)

É incontestável a associação da atividade física com as melhorias significativas na habilidade funcional e na condição de saúde, tanto que hoje, médicos, de diferentes especialidades, indicam a seus pacientes a prática regular.

Para evitar os problemas de saúde da vida sedentária, os Centers for Disease Control and Prevention e o American College of Sports Medicine aconselham que

todo adulto realize 30 minutos ou mais de atividade física de intensidade moderada (não necessariamente de uma só vez) quase todos os dias da semana. Enquanto o exercício aeróbico é mais importante para os benefícios da saúde, a manutenção do tônus e da força muscular melhora a qualidade de vida e a

capacidade

de

realizar

as

tarefas

rotineiras,

a totalidade de movimentos executados no contexto do Esporte, da Aptidão Física, da Recreação, da Brincadeira, do Jogo e do Exercício. Num sentido mais restrito, é todo movimento corporal produzido por músculos esqueléticos, que provoca um gasto de energia. (BARBANTI, 1997, p. 168)

A estrutura e o funcionamento do corpo todo do idoso sofre alterações irreversíveis, inclusive alterações da inteligência, na memória e na personalidade, sendo que a prática de uma atividade física moderada e regular contribui para preservar as estruturas orgânicas e o bem-estar físico e mental.

Além de impedir que as alterações decorrentes da idade se acentuem, muitas vezes, através da atividade física, seja ela qual for, ocorrem inúmeras melhoras, uma vez que é através dela que acontece maior exigência do sistema circulatório, fundamental para a Terceira Idade.

A atividade física contribui para que as pessoas se libertem de pré-conceitos estabelecidos culturalmente; atua na manutenção da saúde, melhora as funções orgânicas; na parte social, facilita a convivência e na parte psicológica, atua na melhora da auto-estima, conscientizando o idoso de que pode também participar de muitas atividades e ações e que

especialmente na velhice. (NIEMAN, 1999, p. 302)

Terceira Idade e Corporeidade

  • O

    culto exagerado ao corpo, no mundo capitalista,

supervaloriza os corpos fortes e saudáveis, esteticamente aprovados, segundo padrões definidos pela mídia. Nesse contexto, fica difícil para o idoso sentir-se incluído, pois possui um corpo que não se enquadra mais nesse padrão devido ao processo natural de envelhecimento. Em razão disso, acaba se sentindo incapaz e se expressa, muitas vezes, pela rejeição ao próprio corpo, julgando-o feio e incapaz e impondo diversas restrições a si mesmo.

Esta visão de corporeidade em relação ao idoso é uma questão cultural do nosso país. A mídia reforça a questão de que o tempo do idoso já passou. Todas as propagandas, as mais variadas possíveis, quase sempre mostram pessoas jovens em lugar de destaque. Tal fato contribui para a discriminação social do idoso que, muitas vezes, deixa de sair na rua, deixa de se exercitar e se movimentar. No entanto, o movimento é ainda muito mais importante para tal faixa etária.

Motriz, Rio Claro, v.12, n.3, p.217-228, set./dez. 2006

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