X hits on this document

Word document

o começo da tarde do dia 10 de maio de 1996, Jon Krakauer alcançou o cume do Everest, ... - page 25 / 128

516 views

0 shares

1 downloads

0 comments

25 / 128

considerado uma lenda viva aqui na Nova Zelândia", diz Atkinson. "O que ele diz tem um bocado de peso e deve ter doído bastante ser criticado por ele. Rob queria fazer uma declaração pública para se defender, mas percebeu que se colocar contra uma figura venerada pelos meios de comunicação não iria levá-lo a nada."

Então, cinco meses depois que a bomba jogada por Hillary estourou, Hall foi atingido por um golpe ainda mais forte: em outubro de 1993, Gary Ball morreu de um edema cerebral — um inchaço do cérebro provocado por grandes altitudes - durante uma tentativa de escalar os 8167 metros do Dhaulagiri, a sexta montanha mais alta do mundo. Ball entrou em estado de coma dentro de uma pequena barraca no cume da montanha e morreu arfando penosamente nos braços de Hall. No dia seguinte Hall enterrou o amigo numa greta.

Durante uma entrevista a um canal de televisão neozelandês, após a expedição, Hall descreveu, de modo sombrio, como baixara o corpo de Ball até as profundezas do glaciar amarrado à sua corda preferida. "Uma corda de alpinismo serve para manter todos unidos e você jamais larga dela", ele disse. "E eu tive justamente que deixá-la correr pelas minhas mãos."

"Rob ficou arrasado quando Gary morreu", diz Helen Wilton, que trabalhou no acampamento-base de Hall no Everest em 1993, 1995 e 1996. "Mas enfrentou a situação com serenidade. Esse era o jeito de Rob — continuar tocando a vida." Hall resolveu então permanecer sozinho à frente da Adventure Consultants. Com seu modo sistemático, continuou a refinar a infra-estrutura e os serviços da companhia — sempre com um sucesso incrível, conseguindo levar alpinistas amadores ao topo de grandes e remotas montanhas.

Entre 1990 e 1995, Hall foi responsável por colocar 39 alpinistas no cume do Everest — com três escaladas a mais do que as que haviam sido feitas nos primeiros vinte anos após a subida inaugural de sir Edmund Hillary. Justificadamente, Hall promovia a Adventure Consultants como "a líder mundial na escalada do Everest, com mais subidas que qualquer outra organização". O folheto que enviava a clientes em potencial dizia:

Quer dizer que você está com sede de aventura? Talvez sonhe em visitar os sete continentes e pisar o cume de uma grande montanha. A maioria de nós não ousa concretizar nossos sonhos e mal se atreve a partilhá-los, muito menos admitir que tem um enorme desejo secreto.

A Adventure Consultants é uma empresa especializada em organizar e guiar expedições de alpinismo. Somos versados no lado prático que transforma sonhos em realidade e trabalhamos junto com você, para que atinja sua meta. Nós não vamos arrastá-lo montanha acima — você vai ter de dar duro — mas garantimos que faremos o possível para maximizar a segurança e o sucesso de sua aventura.

Para aqueles que têm a coragem de olhar seus sonhos de frente, esta experiência oferecerá algo muito especial, que nenhuma palavra é capaz de descrever. Nós o convidamos a escalar sua montanha conosco.

Em 1996, Hall estava cobrando 65 mil dólares por cabeça para guiar seus clientes ao topo do mundo. Não há como negar que se trata de um bocado de dinheiro — equivalente ao valor da hipoteca da minha casa em Seattle - e esse preço não incluía a passagem aérea até o Nepal nem o equipamento pessoal. Nenhuma outra companhia cobrava tão caro — na verdade alguns dos concorrentes cobravam um terço disso. Porém, graças ao sucesso fenomenal obtido por Hall, ele não teve o menor problema em preencher as vagas para essa sua oitava expedição ao Everest. Para qualquer um decidido a escalar o pico e em condições de desembolsar essa quantia, a Adventure Consultants era a escolha óbvia.

Na manhã do dia 31 de março de 1996, dois dias após ter chegado a Katmandu, os integrantes da Expedição ao Everest da Adventure Consultants cruzaram o asfalto da pista do aeroporto internacional Tribhuvan e subiram a bordo de um helicóptero Mi-17, de fabricação russa, operado pela Asian Airlines. Relíquia esfolada da guerra afegã, era tão grande quanto um ônibus escolar, com capacidade para 26 passageiros, e dava a impressão de ter sido remendado nos fundos de um quintal. O engenheiro de vôo fechou a porta, distribuiu chumaços de algodão para que puséssemos no ouvido e aquele mastodonte levantou-se do chão com um barulho de estourar os tímpanos.

O chão do helicóptero estava lotado de mochilas e caixas de papelão. Espremida feito sardinha nos assentos de pára-quedistas ia a carga humana, olhando cada um para si, os joelhos encaixados no

Document info
Document views516
Page views644
Page last viewedThu Dec 08 02:18:39 UTC 2016
Pages128
Paragraphs1519
Words87495

Comments