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o começo da tarde do dia 10 de maio de 1996, Jon Krakauer alcançou o cume do Everest, ... - page 33 / 128

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especialmente severo sobre a necessidade de mostrar à nossa equipe sherpa gratidão e respeito. "Os sherpas que nós contratamos são os melhores do ramo", ele nos disse. "Eles dão um duro danado em troca de um salário relativamente baixo, para os padrões ocidentais. Quero que todos vocês se lembrem de que não teríamos a mínima chance de chegar ao cume do Everest sem a ajuda deles. Eu vou repetir: sem o apoio de nossos sher­pas, nenhum de nós teria a menor chance de escalar a montanha."

Numa conversa posterior, Rob admitiu que nos últimos anos fizera diversas restrições a alguns chefes de expedição por terem sido descuidados com sua equipe sherpa. Em 1995, um jovem sherpa morrera no Everest; no entender de Hall, o acidente ocorrera muito provavelmente porque "permitiram que o sherpa escalasse até quase o topo da montanha sem o devido treinamento. Eu acredito que é responsabilidade nossa, das pessoas que dirigem essas viagens, impedir que tais coisas aconteçam".

No ano anterior, uma expedição comercial norte-americana contratara um sherpa chamado Kami Rita como ajudante de cozinheiro. Forte e ambicioso, com 22 anos de idade, ele pressionou bastante para ser admitido na equipe dos sherpas alpinistas. Em apreço ao entusiasmo e à dedicação do rapaz, algumas semanas depois seu desejo foi satisfeito — embora ele não tivesse nenhuma experiência de alpinismo nem treinamento formal nas técnicas adequadas.

Dos 6705 aos 7620 metros, a rota padrão sobe por uma encosta de gelo muito inclinada, conhecida como o flanco do Lhotse. Como medida de segurança, as expedições sempre fixam uma série de cordas por toda a extensão dessa escarpa; os alpinistas devem se proteger, atrelando uma corda curta às cordas fixas quando estão subindo. Kami, jovem, presunçoso e inexperiente, não achou que fosse realmente necessário atrelar-se à corda fixa. Uma tarde, enquanto carregava um volume pelo flanco do Lhotse, Kami perdeu o pé no gelo duro feito pedra e caiu mais de seiscentos metros paredão abaixo.

Meu companheiro Frank Fischbeck vira o episódio todo. Em 1995, ele estava fazendo sua terceira tentativa de escalar o Everest como cliente da companhia americana que contratara o jovem sherpa. Frank subia atrelado às cordas, pelo flanco do Lhotse, e me contou, com voz embargada: "Olhei então para cima e vi uma pessoa despencando aos trambolhões. Ele passou por mim gritando e deixou um rastro de sangue".

Alguns alpinistas correram até o local onde Kami finalmente parou, no pé do flanco, mas eleja estava morto, em conseqüência dos graves ferimentos que sofrerá na queda. O corpo foi levado até o acam­pamento-base e lá, seguindo a tradição budista, seus amigos levaram comida para alimentar o cadáver durante três dias. Em seguida foi carregado até uma aldeia perto de Tengboche e cremado. Enquanto o corpo ia sendo consumido pelas chamas, a mãe de Kami chorava convulsivamente e batia uma pedra afiada na cabeça.

O acidente com Kami despontou muito nítido na mente de Rob, ao alvorecer do dia 8 de abril, quando ele e Mike saíram às pressas rumo ao acampamento-base para tentar tirar Tenzing vivo do Everest.

5.LOBUJE

8 DE ABRIL DE 1996

4900 M

Passando pelas imensas torres de gelo da Phantom Alley, entramos no terreno pedregoso ao pé do gigantesco anfiteatro. [...] Aqui [a cascata de gelo] dava uma guinada abrupta para o sul, assim como o glaciar do Khumbu. Estabelecemos nosso acampa­mento-base a 5424 metros, na morena lateral que forma a beirada externa da virada. Rochedos enormes emprestavam um ar de solidez ao lugar, porém as pedras instáveis sob nossos pés corrigiam a impressão enganosa. Tudo que era possível ver, sentir e ouvir da cascata de gelo, da morena, das avalanches, do frio vinha de um mundo que não se destinava à habitação humana. Não havia água, nada crescia apenas destruição e desintegração. [...]AH seria nosso lar pelos vários meses seguintes, até que a montanha fosse escalada.

Thomas F. Hornbein

Everest: the west ridge

No dia 8 de abril, pouco depois do escurecer, o rádio portátil de Andy soltou uns estalidos e começou a funcionar, bem na porta do alojamento em Lobuje. Era Rob, chamando do acampamento-base, com boas notícias. O resgate envolvera uma equipe de 35 sherpas e vários integrantes de diversas expedições, tomara um dia inteiro de trabalho, mas eles conseguiram levar Tenzing para baixo.

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