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o começo da tarde do dia 10 de maio de 1996, Jon Krakauer alcançou o cume do Everest, ... - page 58 / 128

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Pittman, uma milionária, misto de alpinista e socialite, estava de volta para tentar pela terceira vez chegar ao topo do Everest. Esse ano estava mais do que nunca decidida a chegar ao cume e, portanto, com­pletar sua alardeada cruzada para escalar os Sete Picos.

Em 1993, Sandy Pittman juntara-se a uma expedição que tentou seguir a rota do colo sul e crista sudeste, causando um pequeno alvoroço ao aparecer no acampamento-base com o filho de nove anos, Bo, junta­mente com uma babá para cuidar dele. Porém, ela teve uma série de pro­blemas e chegou somente até os 7315 metros antes de dar meia-volta.

Voltou ao Everest em 1994, após conseguir um quarto de milhão de dólares de corporações patrocinadoras para garantir os talentos de qua­tro dos melhores alpinistas da América do Norte: Breashears (contrata­do da televisão nbc para fazer um filme da expedição), Steve Swenson, Barry Blanchard e Alex Lowe. Considerado por alguns, discutivelmen­te, o melhor alpinista do mundo, Lowe fora contratado para ser o guia pessoal de Sandy, emprego pelo qual recebeu uma quantia substancial. Adiante de Sandy Pittman, os quatro fixaram cordas até uma certa altu­ra do flanco do Kangshung, uma parede extremamente difícil e perigo­sa do lado tibetano da montanha. Com grande auxílio de Lowe, Sandy subiu pelas cordas fixas até os 6700 metros. Todavia, uma vez mais, teve de abandonar sua tentativa de chegar ao cume; dessa vez foi a con­dição da neve, perigosa e instável, que obrigou a equipe toda a abando­nar a montanha.

Até cruzar com ela em Gorak Shep, durante a caminhada para o acampamento-base, eu nunca tinha visto Sandy Pittman cara a cara, embora já tivesse ouvido falar muito sobre ela, durante anos. Em 1992, o Men 's Journal me encarregou de escrever um artigo sobre uma via­gem que seria feita de Nova York até San Francisco em motos Harley­ Davidson. No grupo estavam Jann Wenner — o lendário e riquíssimo editor de Rolling Stone, Men 's Journal e Us — e vários de seus ami­gos ricos, inclusive Rocky Hill, o irmão de Sandy, e seu marido, Bob Pittman, o co-fundador da mtv.

Com a Harley-Davidson ensurdecedora e reluzente de cromos que Jann me emprestou, fiz uma viagem eletrizante. Meus companhei­ros caixa-alta eram suficientemente agradáveis. Mas eu tinha pouquís­sima coisa em comum com eles e não havia como esquecer que eu havia sido incorporado ao passeio como auxiliar contratado de Jann. Durante o jantar, Bob, Jann e Rocky comparavam as várias aeronaves que pos­suíam (Jann me recomendou um Gulfstream IV, da próxima vez em que estivesse procurando um jatinho), discutiam assuntos de suas fazendas no interior e falavam sobre Sandy — que estava, naquele momento, escalando o monte McKinley. "Ei", sugeriu Bob, quando ficou saben­do que também eu era alpinista, "você e Sandy deviam se juntar um dia desses e ir escalar uma montanha." Agora, quatro anos depois, estáva­mos juntos.

Com 1,80 metro de altura, Sandy Pittman era cinco centímetros mais alta que eu. Seu cabelo curtinho, de moleque, parecia perfeitamen­te penteado, mesmo aos 5200 metros de altura. Buliçosa e direta, crescera no norte da Califórnia, onde, quando menina, o pai a ensinara a acampar, a fazer longas caminhadas e a esquiar. Apaixonada pela liber­dade e pelos prazeres das montanhas, continuou com suas atividades ao ar livre durante todo o período de universidade e depois, embora a freqüência de suas visitas às montanhas tenha diminuído sensivelmente quando se mudou para Nova York, nos anos 70, na esteira de um primei­ro casamento fracassado.

Em Manhattan, Sandy Pittman trabalhou em diversos lugares, como compradora da Bonwit Teeler, como editora de merchandising da Mademoiselle e como editora de beleza numa revista chamada Bride 's. Em 1979, casou-se com Bob Pittman. Incansável caçadora de atenção pública, Sandy tornou seu nome e rosto um acontecimento constante nas colunas sociais de Nova York. Ela era íntima de Blaine Trump, Tom e Meredith Brokaw, Isaac Mizrahi, Martha Stewart etc. Para transitar com mais eficiência entre a opulenta mansão que tinham em Connecticut e seu apartamento no Central Park Oeste, forrado de objetos de arte e de cria­dos uniformizados, ela e o marido compraram um helicóptero e aprende­ram a pilotá-lo. Em 1990, Sandy e Bob Pittman figuraram na capa da revista New York como "O Casal do Minuto".

Logo depois disso, Sandy deu início a sua dispendiosa campanha, alardeada pelos quatro cantos, para se tornar a primeira mulher norte-americana a escalar os Sete Picos. O último — o Everest — estava se mostrando bem difícil e, em março de 1994, Sandy perdeu a corrida para uma alpinista e parteira alasquiana chamada Dolly Lefever. Mas assim mesmo ela continuou atrás do Everest.

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