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o começo da tarde do dia 10 de maio de 1996, Jon Krakauer alcançou o cume do Everest, ... - page 59 / 128

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Como observou Beck Weathers, certa noite no acampamento-base: "Quando Sandy sai para escalar uma montanha, ela não faz exa­tamente como você e eu". Em 1993, Beck estivera na Antártida, em uma subida guiada do maciço Vinson, na mesma época em que Sandy Pittman estava escalando a montanha com um outro grupo guiado. Beck lembra-se, rindo, que "ela levara uma gigantesca mochila cheia de iguarias finíssimas, que precisava de quatro pessoas para ser levan­tada. Também levou uma televisão portátil e um videocassete, para poder assistir a seus filmes na barraca. Ou seja, você tem que dar a mão à palmatória: não tem muita gente que escale montanha com todo esse estilo". Beck relatou que Sandy Pittman partilhou com generosidade os pitéus que levara com outros alpinistas e que sua companhia era "agra­dável e interessante".

Em 1996, Sandy Pittman levara para o Everest uma montoeira de coisas que em geral não são vistas em acampamentos de alpinismo. Um dia antes de partir para o Nepal, num de seus primeiros boletins para a nbc Interactive Media, ela contou:

Todos os meus objetos pessoais estão empacotados. [...] Parece que a quantidade de equipamentos eletrônicos vai ser igual à de equipamentos para a escalada. [...] Dois lap-tops ibm, uma câmera de vídeo, três máqui­nas fotográficas de 35 mm, uma câmera Kodak digital, dois gravadores, um cd player, uma impressora e um número suficiente (eu espero) de pai­néis solares e baterias para suprir todo o projeto. [...] Eu nem sonharia em sair da cidade sem um estoque imenso de pacotes de Dean & DeLuca e minha máquina de fazer café expresso. E, já que estaremos no Everest na Páscoa, estou levando quatro ovos de chocolate. Uma caça aos ovos de Páscoa a 5500 metros? Veremos!

Naquela noite, o colunista social Billy Norwich ofereceu uma fes­ta de despedida para Sandy Pittman no Nell's, no sul de Manhattan. A lista de convidados incluía Bianca Jagger e Calvin Klein. Sandy gosta­va de moda, e apareceu usando um traje completo para alpinismo de alta montanha por cima de seu vestido de noite, com botas de alpinis­mo, grampões, piolet e uma bandoleira de mosquetões.

Ao chegar ao Himalaia, Sandy Pittman parecia seguir o mais rigi­damente possível todos os protocolos da alta-roda. Durante a caminha­da até o acampamento-base, um jovem sherpa chamado Pemba enrola­va seu saco de dormir todas as manhãs e fazia sua mochila. Quando atingiu o sopé do Everest com os demais integrantes do grupo de Fis­cher, no começo de abril, sua bagagem incluía pilhas de recortes de jor­nal sobre ela própria, para distribuir aos demais cidadãos do acampa­mento-base. Em poucos dias, mensageiros sherpas começaram a chegar regularmente com pacotes para Sandy Pittman, enviados ao acampamento-base via dhl, um correio expresso privado de alcance mundial; neles estavam incluídos os últimos exemplares das revistas Vogue, Vanity Fair, People e Allure. Os sherpas ficavam fascinados com os anúncios de lingerie e achavam que as tiras de papel perfuma­do que vinham dentro das revistas eram uma piada.

O grupo de Scott Fischer era muito unido, todos se davam muito bem; grande parte dos colegas de Sandy Pittman levava suas idiossin­crasias numa boa e não parecia ter o menor problema em aceitá-la. 'Podia ser meio cansativo ter Sandy por perto, porque ela precisava ser o centro das atenções e estava sempre tagarelando a respeito de si mes­ma", diz Jane Bromet, relembrando. "Mas não era uma pessoa negati­va. Ela não baixava o moral do grupo. Estava sempre muito cheia de energia e animação, quase todos os dias."

Ainda assim, vários alpinistas consumados, que não estavam em sua equipe, consideravam Sandy Pittman uma grandíssima diletante. Depois de sua fracassada tentativa de 1994 de escalar o flanco do Kang­shung, no lado tibetano do Everest, um comercial de televisão da Vase­line Intensive Care (o principal patrocinador da expedição) foi aberta­mente criticado por alpinistas experientes por ter anunciado que Sandy Pittman era uma "alpinista de classe mundial". Porém, a própria Sandy nunca fez tal afirmação; na verdade salientou, num artigo para o Men 's Journal, que ela queria que Breashears, Lowe, Swenson e Blanchard "entendessem que eu não misturo minhas ávidas habilidades de prati­cante de um hobby com suas capacidades de nível internacional".

Seus famosos companheiros na tentativa de 1994 jamais disseram nada de desagradável sobre Sandy Pittman, pelo menos não em públi­co. Depois daquela expedição, na verdade, Breashears tornou-se seu amigo íntimo e Swenson sempre a defendia dos críticos. "Escuta", Swenson me explicara certa vez em Seattle, logo após o regresso de ambos do Everest, "talvez Sandy não seja uma grande alpinista, mas no flanco Kangshung ela reconheceu suas limitações. É verdade que Alex, Barry, David e eu

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