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A IDENTIDADE CULTURAL NA PÓS-MODERNIDADE - page 26 / 28

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região), a restauração da fé islâmica é uma poderosa força política e ideológica mobilizadora e unificadora.

A tendência em direção à "homogeneização global", pois, tem seu paralelo num poderoso revival da "etnia", algumas vezes de variedades mais híbridas ou simbólicas, mas também freqüentemente das variedades exclusivas ou "essencialistas" mencionadas anteriormente. Bauman tem-se referido a esse "ressurgimento da etnia" como uma das principais razões pelas quais as versões mais extremas, desabridas ou

indeterminadas do que acontece com a identidade sob o impacto do "pós-moderno global" exige uma séria qualificação:

O "ressurgimento da etnia"... traz para a linha de frente o florescimento não-antecipado de lealdades étnicas no interior das minorias nacionais. Da mesma forma, ele coloca em questão aquilo que parece ser a causa profunda do fenômeno: a crescente separação entre o pertencimento ao corpo político e o pertencimento étnico (ou mais geralmente, a conformidade cultural) que elimina grande parte da atração original do programa de assimilação cultural... A etnia tem-se tornado uma das muitas categorias, símbolos ou totens, em torno dos quais comunidades flexíveis e livres de sanção são formadas e em relação as quais identidades individuais são construídas e afirmadas. Existe agora, portanto, um número muito menor daquelas forças centrifugas que unia vez enfraqueceram a integridade étnica. Há, em vez disso, unia poderosa demanda por uma distintividade étnica pronunciada (embora simbólica) e não por uma distintividade étnica institucionalizada.

O ressurgimento do nacionalismo e de outras formas de particularismo no final do século XX, ao lado da globalização e a ela intimamente ligado, constitui, obviamente, urna reversão notável, uma virada bastante inesperada dos acontecimentos. Nada nas perspectivas iluministas modernizantes ou nas ideologias do Ocidente nem o liberalismo nem, na verdade, o marxismo, que, apesar de toda sua oposição ao liberalismo, também viu o capitalismo como o agente involuntário da "modernidade" previa um tal resultado.

Tanto o liberalismo quanto o marxismo, em suas diferentes formas, davam a entender que o apego ao local e ao particular dariam gradualmente vez a valores e identidades mais universalistas e cosmopolitas ou internacionais; que o nacionalismo e a etnia eram formas arcaicas de apego —a espécie de coisa que seria "dissolvida" pela força revolucionadora da modernidade. De acordo com essas "metanarrativas" da modernidade, os apegos irracionais ao local e ao particular, à tradição e às raízes, aos mitos nacionais e às "comunidades imaginadas", seriam gradualmente substituídos por identidades mais racionais e universalistas. Entretanto, a globalização não parece estar produzindo nem o triunfo do "global" nem a persistência, em sua velha forma nacionalista, do "local". Os deslocamentos ou os desvios da globalização mostram-se, afinal, mais variados e mais contraditórios do que sugerem seus protagonistas ou seus oponentes. Entretanto, isto também sugere que, embora alimentada, sob muitos aspectos, pelo Ocidente, a globalização pode acabar sendo parte daquele lento e desigual, mas continuado, descentramento do Ocidente.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ABERCROMBIE, E, N., Hill, S. e Turner, B. Sovereign Individuals of Capitalism. Londres: Allen and Unwin, 1986.

ABERCROMBIE, N., Hill, S. e Turner, B. (orgs.) The Penguin Dictionary of Sociology. 2" ed. Harmondsworth: Penguin, 1988.

ALTRUSSER, L. For Marx. Londres: Verso, 1966.

ANDERSON, B. Imagined Communities. Londres: Verso, 1983.

BARNETT, A. Iron Britannia. Londres: Allison and Busby,1982.

BAUMAN, Z. "Modernity and ambivalence". In Featherstone, M. (org.), Global Culture. Londres: Sage,

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