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Limpeza de ambientes costeiros contaminados por óleo.

comunidade, levando ao decréscimo biodiversidade e abundância de espécies.

da

  • O

    jateamento a baixa pressão é uma técnica

que também deve ser evitada, uma vez que o fluxo, ainda que mais suave, ocasiona desalojamento daquelas espécies com menor poder de adesão ao substrato e provoca a morte de indivíduos das espécies mais frágeis. Mesmo as cracas Chthamalus sp., que apresenta estrutura protetora, pode apresentar mortalidade significativa após receber tratamento de limpeza a baixa pressão (Lopes 1992, Milanelli 1994).

A lavagem de costões atingidos com água corrente é uma técnica aconselhável, já que não promove danos adicionais. Tal técnica, contudo, deve ser utilizada imediatamente após os locais terem sido atingidos e deve estar associada a um método de recolhimento. Quando o óleo já está intemperizado e aderido ao substrato, a lavagem é ineficiente (Milanelli 1994, CETESB 2002).

  • O

    bombeamento a vácuo e a remoção

manual auxiliam na retirada de óleo de poças, fendas e depressões das rochas, além de não provocarem danos à comunidade biológica (Milanelli 1994, CETESB 2002).

Absorventes agregam o óleo, o que facilita a sua posterior retirada do ambiente. Devem ser, todavia, aplicados apenas em poças e outros locais que concentram o produto. Sua utilização sobre a comunidade biológica não deve ocorrer, uma vez que a mistura óleo-absorvente forma uma camada impermeável podendo promover impactos físicos de recobrimento sobre os organismos (IPIECA 1995, CETESB 2002).

A limpeza natural constitui um agente muito efetivo, em que a ação das ondas, correntes e marés retiram eficientemente o produto dos costões rochosos atingidos. Muitas vezes a não interferência em um local atingido, deixando-o à mercê da recuperação natural, é o melhor procedimento em termos ecológicos (Milanelli 1994, CETESB 2002).

Para costões rochosos expostos, a limpeza natural é indicada. O alto hidrodinamismo retira rapidamente o óleo do ambiente através da ação das ondas. Além disso, o acesso a estes locais pode ser difícil e perigoso (Gundlach & Hayes 1978, API 1985, Milanelli 1994, NOAA 2000, Brasil 2004).

Nos costões abrigados, a limpeza natural é considerada menos eficiente. O fraco hidrodinamismo implica numa lenta e baixa taxa de remoção natural. Mesmo assim alguns autores são contra a intervenção para limpeza nestes ambientes, exceto quando há uma grande quantidade de óleo no local ou por razões estéticas significativas (Gundlach & Hayes 1978, Brasil 2002). Alguns autores indicam

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  • o

    jateamento a baixa pressão para estes ambientes,

principalmente quando o óleo está fresco e líquido (API 1985, NOAA 2000).

Há autores que defendem ações com jateamentos em costões situados em pontos turísticos e de acesso público. Recomendam que quando o jateamento a baixa pressão se torna ineficiente, deve-se aplicar o jateamento a alta pressão, eventualmente com água quente e o uso de agentes químicos (Michel 2000). Deve-se deixar claro que apesar destes posicionamentos, estes procedimentos, mesmo que pareçam eficientes e viáveis, não são recomendados pelos órgãos ambientais Brasileiros, pois causam impactos adicionais significativos como foi descrito anteriormente.

Conclui-se que os métodos de limpeza com maior eficiência e menor dano às comunidades biológicas de costões rochosos envolvem: o bombeamento a vácuo, o recolhimento manual, absorventes, a limpeza natural, lavagem com água corrente e o uso de esteiras e skimmers. Apesar disso, alguns autores, organizações e instituições recomendam métodos agressivos, demonstrando que

  • o

    apelo estético e as pressões políticas e econômicas

para que o ambiente seja limpo de imediato ainda imperam em algumas situações.

Recifes de Coral

São poucos os métodos apropriados para limpeza de recifes de corais contaminados, uma vez que tais ecossistemas são extremamente delicados e de acesso relativamente difícil.

De acordo com a CETESB (2002), o bombeamento a vácuo é eficiente para retirar o óleo flutuante sobre os recifes, descontaminando o ambiente. Porém, o uso deste método deve ser realizado cuidadosamente, evitando a quebra das estruturas frágeis das colônias e sempre com o uso de embarcação. A utilização de absorventes orgânico-vegetais, como turfas, também é eficiente em auxiliar na retirada do óleo do ambiente, sendo, portanto uma técnica aplicável para descontaminar a coluna d’água sobre os recifes. Entretanto, em casos de contaminação de recifes em períodos de maré baixa, a utilização de absorventes deve ser evitada, uma vez que seu emprego pode agravar os impactos por promover o recobrimento físico dos organismos. Além disso, a remoção dos resíduos é dificultada devido à complexa estrutura das colônias e à dificuldade de se proceder a coleta manual. Esta é viável e eficiente para poças, fendas ou outras estruturas que retenham o produto. Deve, no entanto, ser utilizado com extremo cuidado para evitar danos físicos potenciais como pisoteio sobre os organismos, desalojamento e quebra das colônias.

Pan-American Journal of Aquatic Sciences (2007), 2 (1): 1-12

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