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A aplicação do método de lavagem com água corrente em recifes de coral expostos durante a baixamar é impactante: pode causar distúrbios, como a remoção de organismos, alteração de microhábitats e danos mecânicos em indivíduos de espécies extremamente frágeis. Ainda que feita com água do mar, a lavagem dos recifes, sempre que possível, deve ser evitada. (CETESB 2002).

  • O

    uso de dispersantes em recifes de coral

pode ser um método atrativo quando algum outro ecossistema sensível próximo está sendo ameaçado pelo óleo (e.g., um manguezal ou um santuário de aves). Contudo, uma simulação feita no Panamá - em que foi aplicado dispersante numa área de coral para proteger um manguezal da contaminação por óleo cru - mostrou que o óleo quimicamente dispersado causou declínio na abundância e no crescimento de corais e outros organismos associados (IPIECA 1992). Um outro trabalho que testou efeitos de cinco tipos de dispersantes de terceira geração, aplicados em diferentes concentrações, em larvas de uma espécie de coral pôde constatar o aumento da toxicidade da mistura óleo-dispersante, mortalidade, redução de taxas de estabelecimento e deformações morfológicas e comportamentais (Epstein et al. 2000). Portanto, devido ao pouco conhecimento relacionado à utilização desta técnica, principalmente no que se refere à toxicidade e eficiência dos produtos mais recentes, e também levando em consideração a sensibilidade intrínseca dos organismos de recifes, esta técnica deve ser evitada (Gundlach & Hayes 1978, API 1985, NOAA 2000, CETESB 2002). No Brasil, a legislação ambiental não permite o uso de dispersantes em recifes de coral (Brasil 2000).

Para os recifes de coral, a limpeza natural é

  • o

    método preferencial a ser escolhido. Este método

não promove riscos adicionais às comunidades, podendo ser bastante eficiente, principalmente em ambientes de elevado hidrodinamismo (IPIECA 1994, Epstein et al. 2000, Brasil 2002, CETESB 2002, 2005). Em recifes de locais abrigados, o bombeamento a vácuo, e em alguns casos, a lavagem com água corrente, pode ser aplicado em conjunto com a limpeza natural (CETESB 2002, 2005). Absorventes também podem ser utilizados na coluna d’água durante a preamar, utilizando-se de embarcações, com posterior recolhimento.

Conclui-se que em recifes de coral a limpeza deve ser realizada com extremo cuidado, devido à alta sensibilidade deste ecossistema. Os métodos de limpeza mais indicados incluem o bombeamento a vácuo, absorventes e esteiras recolhedoras para retirar o óleo flutuante, recolhimento manual com cautela e limpeza natural.

C. CANTAGALLO ET AL.

Limpeza de Lagoas Costeiras

  • O

    óleo, quando derramado em uma laguna,

pode ficar aí preso e persistir por muito tempo, já que a remoção natural é lenta. Pode haver o recobrimento e a intoxicação das plantas aquáticas e dos animais que vivem ou que utilizam a laguna para alguma função (descanso, alimentação, reprodução, migração). Por serem ambientes muito sensíveis (Brasil 2004), recomenda-se que sejam utilizados procedimentos que evitem causar maiores danos ao ecossistema, como a utilização de equipamentos pesados de bombeamento e recolhimento e o uso de dispersantes químicos. Os skimmers, apesar de praticamente não causarem danos, podem perder sua eficiência na remoção do óleo devido à quantidade de plantas aquáticas existentes na superfície da lâmina d’água.

Segundo trabalho da CETESB (2003) sobre a limpeza de uma lagoa costeira contaminada por óleo em Ubatuba, litoral norte de São Paulo, os métodos utilizados na recuperação que trouxeram bons resultados foram: a aplicação de absorventes orgânicos biodegradáveis na superfície da água várias vezes ao dia e posterior recolhimento e o corte manual, controlado e orientado da vegetação contaminada da margem.

Portanto, pode-se recomendar para estes ambientes o uso de absorventes com posterior recolhimento, corte controlado da vegetação ao redor e limpeza natural. A biorremediação deve ainda ser testada nestes ambientes, mas é uma técnica com potencial para limpeza em longo prazo.

Restingas e Dunas

Estes ambientes, apesar de não estarem diretamente sujeitos à ação de impactos por derramamentos de óleo, foram incluídos neste estudo devido à sua importância como ecossistemas costeiros e por serem ambientes de transição adjacente às áreas de manguezal e praias, estando sujeitos a impactos nos momentos de combate e limpeza dos derramamentos de petróleo.

Não há muitas informações a respeito de limpeza de ambientes de restingas e dunas, podendo- se, todavia, utilizar o recolhimento manual, aplicação de absorventes, corte controlado da vegetação, construção de diques de contenção no solo e nos corpos d´água e raspagem no solo. Normalmente os maiores impactos nestes ambientes não são gerados pelo óleo, mas pela presença das frentes de combate. Portanto, as ações de combate necessitam ser planejadas, considerando procedimentos que protejam estes segmentos das planícies costeiras, como o estabelecimento de

Pan-American Journal of Aquatic Sciences (2007) 2 (1): 1-12

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