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Reproductive aspects of the Jenynsia multidentata.

51

  • -

    as políticas de desenvolvimento pesqueiro

tendem a estimular e intensificar a produção ou, então, busca-se a “extensificação” (procurando novos fundos de pesca, recursos alternativos, exploração de águas internacionais, e pesca nas

regiões que fronteiras”,etc);

representavam

as

“últimas

  • -

    são favorecidas as medidas arriscadas em

detrimento de atitudes mais cautelosas.

Isto leva a questionarmos se a administração ou gestão pesqueira é uma ciência. Quando se examinam em detalhe as características acima apontadas, verifica-se que ela não é uma “hard- science” no sentido tradicional. A administração pesqueira consiste em tomar decisões sob condições de incerteza. Em geral, não existe a possibilidade de aplicar o método científico pelo qual, uma vez formulada uma hipótese, esta pode ser confirmada ou, contestada.

A maioria dos recursos pesqueiros (com a exceção de alguns recursos de invertebrados bentônicos) não pode ser submetida a experimentos de controle e replicação. Por exemplo, adotar experimentalmente uma redução do esforço de pesca para verificar o resultado dessa medida, seria fortemente resistido pelos pescadores e a indústria.

Os cientistas e administradores têm uma dificuldade conceitual e prática para tomar decisões sob condições de incerteza. A incerteza sempre está presente, em maior ou menor grau. No entanto, essa incerteza é usada pelos grupos de pressão para justificar o adiamento das medidas que contrariam seus interesses, colocando o ônus da prova sobre os cientistas e administradores.

Frente a estas considerações, cabe perguntar

quais

são

as

possibilidades

de

alcançar

a

sustentabilidade na pesca? Na modalidade presente, amplamente divulgada e defendida por muitos, a sustentabilidade é um conceito multidimensional onde considerações biológicas-ecológicas, sociais, econômicas e tecnológicas têm o mesmo peso. No entanto, resulta claro que sem a sustentabilidade biológica as outras dimensões carecem de sentido.

As alternativas a este dilema parecem ser

limitadas e exigem público, tem um governos parecem Entretanto, existe

uma reforma profunda no direito custo político alto, e poucos estar dispostos a assumí-los. consenso na comunidade de

valor econômico e a sobrepesca de crescimento e recrutamento. A sustentabilidade social e econômica não pode se sobrepor à ecológica, pois isso equivale a ignorar as limitações naturais da produção

biológica. Administrar

a

explotação

de

recursos

pesqueiros tem mais a ver com regulamentar o comportamento dos armadores, pescadores, industriais e consumidores que, por sua vez, respondem a estímulos econômicos e sociais. Portanto, trata-se de administrar condutas humanas, mais do que controlar o recurso em si. Ludwig et al. (1993) sustentam que, quanto maior e mais imediatas são as perspectivas de lucro (mesmo que aparente), maior é a pressão política para facilitar uma exploração ilimitada ou além do conveniente. Esta percepção está fortemente vinculada à forma como o homem avalia as taxas de desconto na explotação de um recurso renovável (Hagens 2007) seja ele pescado, florestas, minérios, água, etc.

Não existe uma solução simples para alcançar uma explotação sustentável das pescarias. Ludwig (2001) chegou a considerar isto como um “problema perverso”. Um ponto de partida passa por entender que:

  • -

    manejo pesqueiro é

polêmico na medida em

um tópico político e que existem interesses

opostos;

  • -

    dificilmente

é

obtido

  • o

    acordo de todas as

partes envolvidas;

  • -

    o

“alvo”

permanente

do

manejo

transformação,

encontra-se

em

seja porque

os

problemas da explotação mudam de um ano para

  • o

    outro, seja por

desconhecidas;

causas naturais ou, por causas

-

a

incerteza

é

inevitável; ela é um problema

inerente aos estudos de contudo, a incerteza não

dinâmica populacional; deve ser utilizada como

pretexto para adiar as medidas de controle direcionar o “ônus da prova” para a gestão;

ou,

Como contribuição sugiro potencial das seguintes alternativas:

avaliar

o

  • -

    incorporar técnicas para lidar com a incerteza;

técnicas bayesianas fornecem um meio apropriado para lidar com incerteza através de probabilidade;

  • -

    aumentar o “menú” de opções para escolher e

examinar as conseqüências diferentes decisões possíveis;

prováveis

das

cientistas de comum dos

que, o recursos

livre acesso e a propriedade vivos constituem uma parte

importante

do

problema

e

deveriam

ser

revistos.

Não

é possível permitir ingresso recursos são limitados o que

irrestrito quando leva a dissipação

os do

  • -

    incorporar técnicas de “manejo adaptativo”

(ativo e passivo) em que cada ação de gestão é considerada como uma experiência da qual é viável extrair muitas informações para corrigir o próprio manejo.

Pan-American Journal of Aquatic Sciences (2007), 2 (1): 47-52

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