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W. GALVES. ET AL.

Introdução

No Brasil o ritmo de estudos não segue a mesma velocidade da degradação dos ambientes aquáticos. Levantamentos minuciosos dos organismos são necessários, porém difíceis ou até mesmo impossíveis de realizar quando os recursos financeiros são escassos, quando são feitos em áreas de proteção ambiental e quando o tempo

disponível

é

pequeno.

Assim,

muitas

vezes

levantamentos de curta duração são feitos para que seja possível um conhecimento preliminar da diversidade e das condições da biota. Esses levantamentos possibilitam, então, verificar os valores biológicos e de conservação do ecossistema estudado e, através de seu inventário e de uma análise integrada dos dados, informarem prontamente a comunidade científica sobre os resultados obtidos (Willink et al. 2000).

Os estudos ecológicos envolvendo ambientes de riachos, de pequeno e médio porte, eram muito escassos até recentemente (Castro 1999),

  • o

    que pode ser observado, inclusive, pelo

desconhecimento de sua composição faunística e, segundo Esteves & Aranha (1999), de estudos de ecologia trófica. Todavia, o número de estudos envolvendo esses ambientes, e relações existentes entre faunas aquáticas e características ambientais tem aumentado nos últimos anos. O principal intuito desses trabalhos é verificar as situações pelas quais os ambientes aquáticos passam após inúmeras alterações provocadas pela ação antrópica.

Mesmo assim, muitos estudos envolvendo apenas variáveis físicas e químicas não fornecem uma visão abrangente do histórico ambiental, mas sim um resultado instantâneo do que está ocorrendo. Desta forma, esses estudos se tornam insuficientes na determinação das conseqüências que as alterações ambientais provocam nas comunidades biológicas, pois nem sempre refletem alterações resultantes de processos anteriores (e.g. Whitefield 2001, Goulart & Callisto 2003). A composição faunística de uma determinada região, no entanto, é o resultado de um processo histórico ao qual o ambiente esteve sujeito. Faz-se necessário, então relacionar dados físicos e químicos com padrões biológicos, para verificar as reais condições ambientais apresentadas pelos ambientes aquáticos (Karr 1981, Castro & Casatti 1997).

  • O

    uso de invertebrados como indicadores de

poluição, ou alterações ambientais, é de grande importância, não só pela facilidade e o baixo custo envolvido nas coletas destes organismos, mas pela grande diversidade apresentada pelos mesmos.

Pérez et al. (2001) consideraram-nos como bons indicadores, pois geralmente são organismos que possuem ampla distribuição geográfica e ao mesmo tempo são abundantes em seus hábitats. Ainda segundo esses autores, é justamente essa diversidade e abundância, é justamente esta diversidade e abundância que poderá proporcionar esta ampla tolerância da comunidade frente aos diferentes níveis de poluição em um local. Já o uso da ictiofauna como indicadora ecológica está mais relacionada com sua sensibilidade frente às alterações ambientais (poluição, desmatamento), pelo fato destes organismos pertencerem a diferentes níveis dentro da cadeia trófica, e serem mais facilmente identificados (Araújo 1998, Shibatta et al. 2006).

  • O

    município de Londrina é rico em recursos

hídricos, abrigando quinze micro-bacias hidrográficas (Eller 2000). Entretanto, com a concessão de terras pelo Governo do Estado do Paraná a partir da década de 1920 (Cardoso & Westphalen 1981), a região vem sofrendo com o desmatamento para o cultivo do café, implantação de

pastagens

e,

mais

recentemente,

grandes

monoculturas. Alguns ribeirões tiveram a mata ciliar destruída, mas pouco se sabe sobre a conseqüência dessa ação sobre a sua fauna aquática. Sendo assim,

  • o

    objetivo

levantamento

deste trabalho foi realizar preliminar macrofaunístico

um dos

organismos presentes em três afluentes do ribeirão dos Apertados na região do Parque Estadual Mata dos Godoy (PEMG) nos trechos da cabeceira, médio e foz de cada riacho, e associá-lo ao estado de degradação dos diferentes afluentes, uma vez que os mesmos apresentam características distintas de

preservação ambiental.

Material e Métodos Área de estudo

  • O

    Parque Estadual

Mata

dos

Godoy

(PEMG) foi criado em 5 de julho de 1989 através do Decreto Estadual nº 5130. Apresenta uma área de 650 ha (Vicente 2006) e constitui um dos mais importantes remanescentes florestais do estado do Paraná.

Para o estudo foram selecionados três afluentes de segunda ordem do ribeirão dos Apertados, tributário do rio Tibagi, na região Sul do PEMG, onde foram coletados organismos em três trechos de cada riacho (trechos de nascente, médio e foz). A localização dos riachos pode ser observada na Figura 1. Os afluentes selecionados foram tratados como Riachos (1, 2 e 3) pois os mesmos não apresentam nomes.

Pan-American Journal of Aquatic Sciences (2007) 2 (1): 55-65

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