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Limpeza de ambientes costeiros contaminados por óleo.

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Entretanto, pode trazer desvantagens, tais como o pisoteio do substrato necessário para o manuseio do equipamento, a contaminação de áreas adjacentes pelo óleo jateado que não for recolhido, a maior penetração do óleo no sedimento, além de não remover o óleo totalmente (CETESB 2002). Além disso, pode causar remoção de plântulas e produzir mais impactos na flora e fauna associada. Já o jateamento a alta pressão pode causar erosão, além de maximizar os danos ao ecossistema (CETESB 2002).

A decisão pelo uso de dispersantes é muito difícil. Vários dispersantes testados nas mesmas condições (tempo de exposição e concentração) podem apresentar efeitos muitas vezes mais tóxicos às espécies de mangue do que apenas a presença de óleo. Em um evento onde foi aplicado dispersante no manguezal depois que o óleo alcançou as raízes, a vegetação acabou morrendo de qualquer modo. Isto mostra que a sua aplicação deve ser realizada antes que o óleo alcance esse ecossistema, desde que atendidas todas as exigências legais, ambientais e com a concordância dos órgãos ambientais (CETESB 2002). Além disso, existem casos em que a aplicação do dispersante não alterou o efeito do óleo e, em outros, reduziu consideravelmente o seu efeito (CETESB 2002). Há, de qualquer forma, a necessidade de se realizar experimentos para testar a toxicidade e eficiência dos diferentes dispersantes disponíveis no Brasil quando misturados com os vários tipos de óleo que são transportados na nossa costa. No entanto, no Brasil, não é permitido o uso de dispersantes em ambientes costeiros abrigados e sensíveis, como é o caso dos manguezais (Brasil, 2000).

Quanto ao uso de bombeamento a vácuo, o uso de esteiras recolhedoras, skimmers e recolhimento manual, tais ações são recomendadas somente em áreas adjacentes ao manguezal, pois podem causar danos mecânicos, remoção de organismos e revolvimento do substrato (NOAA 2000, CETESB 2002).

A técnica de biorremediação é ainda pouco estudada com relação a manguezais impactados por óleo, apresentando algumas limitações. É, todavia, uma técnica em potencial para tratamentos de longo prazo. Como a biorremediação é feita com a adição de fertilizantes (bioestimulação) e a adição de microrganismos (bioadição), não é recomendada para manguezais eutrofizados, pois, na maioria das vezes os nutrientes não são limitantes (Michel 2000). Além disso, é muito provável que já exista uma comunidade de bactérias degradadoras de hidrocarbonetos (Burns et al. 1999, Michel 2000). As condições limitantes para a biorremediação em manguezais são: baixos níveis de oxigênio molecular, eventual baixa concentração de nutrientes e competição (Burns et al. 1999).

Segundo Getter et al. (1984), as raízes dos mangues e pneumatóforos se mostraram especialmente vulneráveis ao pisoteio, bem como as plântulas de mangues; a quebra de estruturas das plantas resulta em estresse e alterações no crescimento. Outro aspecto importante é que o óleo pode atingir as camadas mais profundas em função do tráfego de pessoas. O óleo residual ao penetrar nos sedimentos anaeróbios pode persistir por anos, afetando as raízes das plantas e animais que vivem entocados nas camadas mais inferiores (API 1985,

Brasil 2004). Considerando-se

as

vantagens

e

desvantagens dos diferentes métodos, pode-se concluir que para os manguezais a melhor opção é a limpeza natural. Deve-se evitar, totalmente, o pisoteio nas áreas de manguezal contaminadas (API 1985, Rodrigues 1997, Michel 2000, NOAA 2000, Brasil 2000, CETESB 2002, 2005). Recomenda-se o uso de esteiras recolhedoras e skimmers e bombeamento a vácuo para retirar o óleo das águas próximas ao manguezal e de absorventes nas margens, com posterior recolhimento, como tentativa de diminuir a entrada de óleo no ecossistema.

A aplicação de absorventes requer algumas ponderações importantes: a) os absorventes devem ser totalmente recuperáveis; b) o grupo de limpeza deve ser treinado para o uso desse material (do contrário corre-se o risco de haver misturado à camada superficial de sedimento no decorrer da recuperação); c) absorventes podem ser utilizados nos canais hídricos que cortam o manguezal, não sendo sua aplicação recomendada para o interior do bosque em razão do efeito do pisoteio e posterior dificuldade de recolhimento do absorvente utilizado (CETESB 2002).

Limpeza de Marismas

Marismas, como os manguezais, estão no nível mais alto da escala de sensibilidade e vulnerabilidade a derrames de óleo (Gundlach & Hayes 1978, Brasil 2004).

A persistência do dano e a recuperação do sistema também dependem de fatores como grau de intemperismo e grau de remoção ou retenção do óleo, época do ano, disponibilidade de sementes, processo sucessional, erosão/deposição e atividade de restauração pelo homem (IPIECA 1994, CETESB 2002).

Pan-American Journal of Aquatic Sciences (2007), 2 (1): 1-12

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