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Estudo da condição ambiental de três riachos...

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ambientes pouco degradados (Oliveira & Bennemann 2005), reforçando a idéia deste riacho se encontrar em melhores condições ambientais.

  • O

    Riacho 2 apresenta boas condições

ambientais, apesar do menor valor de diversidade encontrado. Também apresenta bioindicadores de qualidade ambiental em sua comunidade, como os crustáceos decápodes, megalópteros (Pérez et al.

  • 2001)

    e Trichomycterus sp.

    • O

      Riacho 3, apesar de ser o mais degradado,

com piores características e condições ambientais, é

  • o

    segundo em termos de diversidade. Todavia, não

foi coletado nenhum invertebrado indicador de qualidade ambiental. Os grupos de invertebrados coletados (Odonata, Coleoptera e Hemiptera), são organismos que podem viver em águas limpas, mas se adaptam facilmente a lugares poluídos, e somente um conhecimento profundo destes organismos poderiam defini-los como indicadores (Pérez et al. 2001). Mesmo assim, ainda foram coletados alguns exemplares de Trichomycterus sp.

As

curvas

abundância/biomassa

comparativas

foram

utilizadas

de para

corroborar com a avaliação ambiental realizada nestes ambientes, onde comunidades não perturbadas apresentam curvas de abundância abaixo da curva de biomassa. Geralmente nestas, comunidades prevalece a biomassa de uma ou duas espécies com estratégia-K, representada por poucos indivíduos, mas dominantes em termos de biomassa, diferente das espécies de estratégia–r, ou espécies oportunistas, que usualmente dominam em número, mas não apresentam grandes proporções de biomassa (Clarke & Warwick 1994). Foi o que aconteceu no Riacho 1, nos trechos de nascente e médio, e no Riacho 2 na nascente, locais que apresentaram melhores condições ambientais.

Já em locais de poluição elevada, as comunidades apresentam uma dominância no número de organismos, mas não em termos de biomassa, assim a curva de abundância situa-se acima da curva de biomassa (Clarke & Warwick 1994). Este resultado pôde ser verificado no trecho de foz do Riacho 2, e em todos os trechos amostrados do Riacho 3 onde, a princípio, as curvas de abundância iniciam-se acima da biomassa, sendo superadas posteriormente em “ranks” distintos. Esta elevação pode ser ocasionada pela presença de algumas espécies resistentes à poluição e que sobrevivem em locais sem mata ciliar, como o Cyprinodontiformes Phalloceros caudimaculatus (Castro & Casatti, 1997, Araújo, 1998). Outra possível explicação para estes resultados seria que a vegetação no entorno da foz do Riacho 2 é mais dispersa que no restante deste leito, além de possuir uma maior deposição de matéria orgânica, o que favorece o surgimento de espécies oportunistas. No Riacho 3, a má conservação da vegetação ripária, sendo ausente em vários trechos, aliada à presença da agricultura em seu entorno, responsável pelo carreamento de subprodutos agrícolas para dentro do leito, podem ser os responsáveis por este distúrbio.

Em resumo, verificou-se que os Riachos 1 e 2 apresentam melhores condições ambientais, uma vez que as curvas de biomassa são superiores às curvas de abundância na maioria dos trechos analisados, não cruzando em nenhum ponto. A proximidade entre as curvas pode indicar um resultado de leve distúrbio ambiental, onde a poluição não perturba a comunidade de forma significativa. Corroborando com as análises gráficas estes dois riachos são os que apresentam os maiores índices de Equitatividade, e os menores de Dominância.

No entanto em comunidades moderadamente perturbadas, os dominantes competitivos são eliminados, favorecendo espécies oportunistas ou de estratégia-r, o que provoca uma diminuição dos valores percentuais de biomassa, e conseqüentemente uma aproximação das curvas, que podem se cruzar em algum ponto (Clarke & Warwick 1994). Como exemplo temos os Riacho 1 e Riacho 2, em seus trechos de foz e médio respectivamente, onde as curvas ficaram muito próximas, mas com biomassa sempre superior. Este resultado pode ser explicado pelas características ambientais, onde o trecho do Riacho 1 é estreito, exceto em dois poções a aproximadamente 30 e 40 metros de distância da foz, com vegetação dispersa; já no trecho médio do Riacho 2, o fácil acesso dos animais da fazenda pode ser a causa das principais alterações.

Já o Riacho 3 encontra-se em pior situação ambiental, ratificando as condições observadas no local, uma vez que a curva de abundância é superior à da biomassa, no início de seus trajetos, e alcançada

em

certo

a

presença

pela

biomassa

principalmente

momento,

devido

do

Phalloceros

caudimaculatus, peixe que sobrevive facilmente em lugares degradados. Tal inferência pode ser corroborada pela observação dos índices de Equitatividade e Dominância, que no caso deste riacho foram respectivamente menores e maiores.

Agradecimentos

Somos gratos a Dileimar M. Nalim pelo auxílio na identificação dos insetos e a Aparecido de Souza pela colaboração nas coletas. A Sirlei Terezinha Bennemann pela leitura crítica do manuscrito e sugestões. A Mariana Bertolotti Alves

Pan-American Journal of Aquatic Sciences (2007), 2 (1): 55-65

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