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C. CANTAGALLO ET AL.

Tal como os manguezais, as marismas são também altamente sensíveis ao pisoteio, que pode

levar

à

redução

da

quantidade

de

tecido

fotossintético, expondo o interior das plantas às frações tóxicas do óleo e/ou enterrando caules e folhas de plantas, reduzindo a sua produtividade. Segundo Getter et al. (1984), as folhas e caules de marismas suculentos como Batis sp. e Salicornia sp., mostraram-se especialmente vulneráveis ao pisoteio. A quebra de plantas resulta em estresse e alterações no crescimento e expõe o interior das plantas a frações tóxicas do óleo. Além disso, o pisoteio também pode acelerar os processos erosivos (CETESB 2002).

IPIECA (1994) e NOAA (2000) consideram que marismas sob leve contaminação de óleo devem ser deixadas sob recuperação natural, havendo a necessidade de se avaliar processos e as taxas de remoção natural. As acumulações de óleo devem ser removidas por bombeamento a vácuo, absorventes ou por lavagem a baixa pressão. Deve-se tomar cuidado para não contaminar outros locais com o óleo removido, para não danificar a vegetação e para não contribuir para a mistura de óleo no sedimento. Algumas instituições defendem que métodos de limpeza mais agressivos só devem ser considerados quando outros recursos biológicos (e.g., aves migratórias; espécies ameaçadas) estão correndo risco de contaminação pelo óleo impregnado na

vegetação (IPIECA 1994).

Técnicas

como

seguintes

desvantagens

jateamento

trazem

quando

aplicadas

as às

marismas: remoção incompleta do óleo; pisoteio das

plantas

e

substrato;

contaminação

de

áreas

adjacentes pelo óleo removido pelo jateamento, caso este não seja recolhido; danos aos organismos associados. O jateamento a alta pressão, como é muito agressivo, pode causar erosão, modificações no substrato, prejuízo físico para as plantas e fazer com que o óleo penetre ainda mais no sedimento;

portanto

este

não

é,

conseqüentemente,

um

de barreiras, esteiras recolhedoras e skimmers e o recolhimento manual são as ações mais indicadas nas áreas adjacentes às marismas, a fim de se evitar a entrada do óleo para o interior dos ecossistemas. No interior das marismas estes métodos podem causar danos mecânicos à vegetação, remoção de organismos vágeis e sésseis e revolvimento do sedimento (CETESB 2002).

Dispersantes químicos vêm sendo aplicados em marismas atingidas por derrames e em inúmeras situações de caráter experimental (Getter et al. 1984, CETESB 2002, 2005). Em muitos casos, eles têm causado danos adicionais aos provocados pelo óleo e, em alguns casos, podem aumentar a penetração do óleo no sedimento na zona entremarés. Em geral, o uso de dispersantes não é recomendado para marismas (Getter et al. 1984; CETESB 2002, 2005). No Brasil, não é permitido o uso de dispersantes em marismas e em outros ambientes costeiros abrigados (Brasil 2000).

  • O

    corte de plantas cobertas de óleo ao nível

do sedimento é uma técnica de limpeza que acarreta destruição física direta dos tecidos das plantas. Isto reduz severamente a quantidade do tecido fotossintético, exceto para algumas espécies que perdem as folhas sazonalmente (IPIECA 1994, CETESB 2002). Além disso, através do corte, o interior da planta fica mais exposto às substâncias tóxicas do óleo. Para a execução desta técnica, é necessário um grupo grande de pessoas, o que acarreta em um grande pisoteio e seus danos conseqüentes (Getter et al. 1984).

Os resultados obtidos com o corte são influenciados por diferentes fatores, tais como o tipo de óleo, a sazonalidade, possibilidade de re-

contaminação,

estresse

ambiental,

perturbações

físicas no substrato, grau do corte, taxa de remoção natural e tipo de marisma (Zengel 1996). Para esse autor, o corte não deve ser feito quando as marismas f o r e m c o n t a m i n a d a s p o r ó l e o s l e v e s , o u q u a n d o a ou quando remoção natural for eficiente, a

procedimento recomendado (CETESB 2002).

  • O

    uso de absorventes também pode trazer

alguns problemas se esses materiais não forem totalmente recuperados. O material que não for recolhido permanece no sedimento, consistindo numa fonte potencial de contaminação e um risco para os animais desse ecossistema. Pode também bloquear a luz que atingiria uma porção considerável das marismas e, conseqüentemente, reduzir a sua produtividade (IPIECA 1994). Além disso, o pisoteio envolvido no processo de recolhimento do material absorvente pode introduzir ainda mais o óleo no substrato (IPIECA 1994, CETESB 2002).

  • O

    bombeamento a vácuo, assim como o uso

probabilidade de re-contaminação for alta ou, ainda, no sentido de estimular a recuperação da vegetação;

  • o

    corte somente deve ser considerado para áreas

onde o óleo persistir e quando impactos mais sérios estiverem ameaçando a biota. A sazonalidade é o primeiro fator a ser analisado, devido ao fato de que algumas plantas encontram-se dormentes no outono e inverno; neste caso os impactos causados pelo corte são menores. A salinidade e as condições hidrológicas para a aplicação da técnica também devem ser consideradas: condições anormais de salinidade e pluviosidade podem, em associação com o corte, causar maiores danos à vegetação e retardar o processo de recuperação (Zengel 1996).

Pan-American Journal of Aquatic Sciences (2007) 2 (1): 1-12

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