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“Cardume associado”. Nova modalidade de pesca.

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Material e métodos

Foram realizados dois cruzeiros na embarcação da frota comercial “Ana Amaral I” (24 metros de comprimento, 13 tripulantes e 40 toneladas de pescado). Outro barco menor, “Stephanie Seif”, fez parceria com o anterior (18 metros de comprimento, nove tripulantes e 20 toneladas de pescado).

No primeiro cruzeiro, entre 30 de agosto e 14 de setembro de 2005, foi realizada a captura de atum com espinhel pelágico, modalidade tradicional no Brasil (Haimovici et al., 2006).

No segundo cruzeiro, entre 25 de maio e 11 de junho de 2006, foi realizada a captura de atum utilizando a técnica alternativa de pesca, que denominamos de “cardume associado”.

No segundo cruzeiro a estratégia da pesca mudou totalmente. A mesma se apóia no princípio dos atratores, onde o próprio casco da embarcação desempenha esse papel, agregando os atuns nas proximidades da embarcação (Figuras 1 e 2, vídeos 1 e 2). Inicialmente é necessário encontrar um atrator (bóia a deriva, possivelmente desprendida de uma plataforma de petróleo) com peixe já agregado, e fazer a transferência dos mesmos para o barco. Este é um procedimento mais rápido que aguardar que o casco do barco atue como atrator, o que demandaria um longo período a deriva no mar e, segundo o mestre, comercialmente menos viável.

A macro-área de pesca, costa centro-sul do Rio Grande do Sul, nas proximidades da quebra da plataforma continental e sob a influência da Convergência Sub-Tropical, foi semelhante em ambos os cruzeiros, tendo o mesmo mestre e

tripulação, sendo substituídos apenas ajudantes de convés na segunda ocasião.

quatro

Foram registradas as condições ambientais no início e no final das operações de pesca, utilizando-se para isso dos equipamentos de navegação da própria embarcação.

Foi feita uma amostragem aleatória de comprimento furcal (CF) dos atuns capturados, utilizando um paquímetro com precisão de um centímetro e de acordo com os procedimentos recomendados pela ICCAT (Graham et al., 2006).

Para coleta de dados históricos e registro das observações da tripulação acerca da pesca de “cardume associado”, realizaram-se entrevistas com

  • o

    mestre e a tripulação durante o segundo cruzeiro.

Figura 1 - Exemplar de Thunnus albacares integrante do cardume que estava a poucos metros da embarcação. 1 de junho de 2006, 8h55, na posição 32o28,187’S / 49o21,114’W.

Resultados e Discussões Descrição das operações de pesca

No primeiro cruzeiro foi realizada a pesca com espinhel de 40 milhas náuticas (64 Km) e 1.500 anzóis. Com exceção do primeiro dia (as condições de mar adversas atrasaram as operações e foi realizado apenas um lance), foram realizados dois lances diários, um com lançamento por volta das 04h e final do recolhimento em torno das 14h, seguido por outro lance cujo recolhimento terminava cerca das 23h. Este esquema de lançamentos do espinhel, criado pelo mestre desta embarcação e já adotado por outros, se opõe à prática estabelecida pelos mais antigos, que preferem os lançamentos noturnos e recolhimentos diurnos.

Figura 2 - Cardume associado à embarcação, tendo a amurada de proa como referência. 6 de junho de 2006, 10h35, na posição 28o17,412’S / 45o56,796’W.

Vídeo 1 - Mostra o cardume nadando na proa e na mesma velocidade da embarcação. 6 de junho de 2006, 10h20, na posição 28o17,412’S / 45o56,796’W. (Clique para assistir).

Vídeo 2 - Mostra um atum com ferimento no dorso, entre as nadadeiras dorsais. Este atum se tornou identificável, devido ao ferimento, e se manteve associado à embarcação por oito dias, quando então se transferiu o cardume à embarcação “Stephanie Seif”. 9 de junho de 2006, 10h40, na posição 28o17,412’S / 45o56,796’W. (Clique para assistir).

Pan-American Journal of Aquatic Sciences (2007), 2 (1): 66-74

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