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Os registros da ecosonda mostraram que há recrutamento mais ou menos contínuo no cardume de atuns após a agregação ao barco, assim como observado por Fréon & Misund (1999). Essa característica compensa a captura realizada, mantendo o tamanho do cardume estável ou em expansão. Porém, foi relatado pela tripulação, que este recrutamento apenas acontece sob o barco de maior comprimento (24 m). Quando sob o barco menor (18 m), este cardume tende a reduzir seu tamanho. Desta observação pode-se especular que as dimensões dos cascos (“atrator”) envolvidos interfiram diretamente no tamanho do cardume agregado.

A pescaria é feita com os dois barcos se revezando, “passando” o cardume de uma embarcação para outra. Assim, enquanto uma delas continua com a pesca, a outra esta descarregando no porto. Esse revezamento garante que o cardume não se disperse e que permaneça disponível e vulnerável à pesca, mesmo sob condições meteorológicas adversas.

  • O

    cardume explorado nesta viagem foi

originado de uma bóia à deriva, com cerca de 20 mil litros, encontrada em abril de 2006, próxima à quebra da plataforma continental, (33º20’S; 50º33’W). Ela foi rebocada para fora da plataforma, e os atuns associados a ela “transferidos” para o barco.

Essa “transferência” aconteceu durante a noite com o barco em lento movimento (quatro nós), com luzes acesas e rebocando a bóia. Quando ela é liberada e abandonada à deriva os atuns permanecem seguindo o barco, que então assume o papel de atrator antes desempenhado pela bóia. De forma análoga, é possível fazer a transferência do cardume de um barco para outro. Porém, trata-se de uma operação com horário restrito às horas noturnas o que muitas vezes obrigava as embarcações há ficarem mais tempo no mar.

Após a experiência ganha com esta técnica, os mestres aprimoraram o procedimento que foi baseado na posição em que os atuns acompanham a embarcação (proa e bordo sombreado), e pode ser realizada a qualquer momento do dia.

A manobra consiste em que ambas as embarcações naveguem no mesmo rumo, uma atrás da outra, a poucos metros de distância (2-5 m). O barco que navega na frente, “recebe” o cardume daquele que navega atrás, uma vez que a tendência do cardume é avançar até a proa do barco que navega na frente. A embarcação de trás reduz a velocidade até parar. O primeiro, que recebeu o cardume, continua navegando e faz uma passagem

F. DE A. SCHROEDER & J. P. CASTELLO

pelo bordo sombreado do segundo que está parado.

  • O

    cardume que ainda esta sob o barco parado é

“recrutado” ao cardume do barco em movimento. O atum tem uma preferência a acompanhar objetos flutuantes que se movimentam (informação da tripulação). Essa característica foi a base para o aprimoramento e desenvolvimento desta técnica.

Nesta modalidade, a pesca é realizada em dois horários bem específicos e que tem curta duração. O primeiro se dá no nascer do sol e dura cerca de uma hora. O segundo acontece no pôr do sol e dura aproximadamente quarenta minutos, ou seja, em ambos os casos a altura do sol sobre o horizonte é baixa. Houve tentativas de pescaria fora destes horários, porém com capturas inexpressivas. Trabalhos realizados com marcação mostram que a aproximação do cardume se dá de maneira mais intensa entre as 02h e as 09h e entre as 15h e as 22h (Fréon & Misund, 1999), o que pode explicar o sucesso da pescaria nos horários aqui descritos.

Nesses horários de pesca, o barco permanecia em lento movimento (quatro nós), sempre mantendo as ondas na popa. Foi observado que nessa velocidade o cardume permanece próximo à superfície. Com velocidades menores, os registros da ecossonda mostraram um aprofundamento do cardume, chegando próximo dos 100 metros quando a embarcação estava derivando, fato também observado por Dagorn et al. (2001).

A equipe de pesca era composta por 11 tripulantes, sendo que quatro deles operavam linhas de mão e “corricavam” na popa do barco. Duas duplas operavam as varas, que eram colocadas uma em cada borda da embarcação. A equipe de apoio, era composta por três pescadores, sendo que dois cuidavam do transporte das peças capturadas para ganchos no convés e um era encarregado da evisceração. Eventualmente, dois pescadores de corrico podiam deixar a popa e assumir mais uma vara, dependendo da razão de captura entre vara e corrico.

As varas, confeccionadas em bambu, sem partes flexíveis, mediam 2,70 metros. Na ponta era amarrado um cabo n° 3 com 40 cm, com um destorcedor. Nele era colocado um cabo n° 3 com cinco metros e uma linha de náilon n° 2.5 com dois metros (figura 3) e um anzol n° 12 ou 13. A isca artificial utilizada era confeccionada a bordo, revestindo o anzol com mangueira branca, deixando apenas a fisga nua.

Cada vara era operada em duplas. Um tripulante manuseia a vara, realizando movimentos ondulatórios e fazendo com que o anzol fique

Pan-American Journal of Aquatic Sciences (2007) 2 (1): 66-74

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