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A segurança física dos pescadores também foi apontada como vantagem, uma vez que o serviço é muito mais “leve” e menos estressante para o pescador. Enquanto no espinhel o regime de trabalho na pesca chega a 16 horas diárias, no “cardume associado” esse regime é de apenas três horas diárias, ou seja, o cansaço físico não compromete a segurança dos pescadores. As técnicas de pesca também são mais seguras no “cardume associado”, ficando a tripulação resguardada de acidentes graves.

  • O

    longo período a bordo sem atividade

também foi apontado como ponto negativo. Os tripulantes reclamavam de cansaço mental e tédio. Jogos de baralho, sempre envolvendo apostas, eram utilizados para passar o tempo, o que gerava confusão devido a dívidas contraídas por alguns pescadores na mesa de jogo. Situações como essa, são impossíveis na pesca com espinhel, dado o regime intenso de trabalho.

Os Atratores (FADs)

  • O

    motivo que leva os atuns a se associarem

a objetos flutuantes ainda não é muito claro (Castro et al., 2002). Sabe-se que os atuns ficam menos ativos quando associados a objetos flutuantes, o que pode favorecer sua captura (Fréon & Misund, 1999). No entanto, algumas hipóteses relativas ao papel desempenhado pelos atratores vêm ganhando credibilidade. Observações realizadas durante o segundo cruzeiro parecem apoiar algumas dessas hipóteses.

Assim, a observação, em várias ocasiões, de pequenos cardumes que se separavam do principal, afastando-se do barco para a alimentação e depois retornando, daria sustento a teoria do “ponto de encontro” (meeting point) (Castro et al., 2002; Fréon & Misund, 1999; Fréon & Dagorn, 2000).

Outras observações apontam que os atuns se associam a objetos flutuantes para obter proteção contra predadores (Rountree, 1989; Feigenbaum, 1989; Fréon & Misund, 1999). Durante o segundo cruzeiro foi registrada a presença de um agulhão- negro (Makaira nigricans Lacepède, 1802) de aproximadamente 450 kg. Nesta ocasião, o comportamento dos atuns se alterou, com parte do cardume se dirigindo para profundidades maiores – em torno de 100 m – e outra parte se aproximando muito da embarcação. Esta última era composta principalmente por indivíduos de pequeno porte. Não foi possível identificar as espécies que se aproximaram. No entanto, o agulhão se manteve distante, a cerca de 20 m da embarcação.

  • O

    fototropismo negativo, apontado por

F. DE A. SCHROEDER & J. P. CASTELLO

Castro et al., (2002) como uma possível razão para eficiência dos FADs, também foi registrado a bordo. Foi observado que os atuns tinham uma clara preferência pela sombra, acompanhando a embarcação principalmente pelo bordo oposto ao sol. Essa característica é utilizada na manobra de transferência do cardume de um barco para outro, colaborando para a confirmação desta hipótese.

Esta preferência por locais sombreados também pode ser explicada como proteção contra predadores, uma vez que os atuns ficam mais bem camuflados na sombra e conseguem manter a visão mais apurada, pois suas pupilas permanecem mais dilatadas na sombra, e podem observar os possíveis predadores se aproximarem (Helfman, 1981).

  • O

    padrão de deslocamento vertical dos

atuns, quando associados a um objeto flutuante, foi descrito por Dagorn et al. (2001) e foi também confirmado durante o segundo cruzeiro. A relação entre a velocidade da embarcação e a profundidade em que os atuns a acompanham é bem clara. Quanto mais rápido a embarcação navegava, mais próximo da superfície o cardume a acompanhava. No momento em que o barco reduzia a velocidade, o cardume se deslocava para profundidades maiores.

Baseado nestas observações foi determinado, pelo mestre da embarcação, que a velocidade ideal de pesca é de aproximadamente quatro nós. Em velocidades inferiores a esta, os atuns se distanciam da superfície e ficam menos vulneráveis aos equipamentos de pesca. Em velocidades superiores, o consumo de óleo diesel aumenta, elevando o custo de produção.

Conclusões

Esta nova modalidade de pesca se mostra promissora, com vantagens ecológicas sobre a pesca de espinhel tradicional, principalmente na ausência de morte nas capturas incidentais e a maior segurança e possibilidade de convívio social dos pescadores.

  • O

    baixo custo operacional deve permitir um

número maior de pescadores nesta modalidade, uma vez que a armação do barco deixa de representar um fator limitante. O elevado preço de mercado da principal espécie alvo, a albacora-bandolin, também colabora para o sucesso da pescaria, uma vez que mesmo pequenas capturas já representam bons retornos financeiros.

Numa primeira análise, as desvantagens em relação à pesca tradicional ficam por conta da captura focada sobre os juvenis, o que pode significar que esta pesca seja insustentável em larga escala e a necessidade, para início das atividades, de

Pan-American Journal of Aquatic Sciences (2007) 2 (1): 66-74

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