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Limpeza de ambientes costeiros contaminados por óleo.

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Caso decidir-se pela aplicação do corte, devem-se evitar, ao máximo, perturbações no substrato; as equipes de limpeza devem ser compostas por 2 ou 3 pessoas. O corte feito durante a maré alta diminui os danos causados pelo pisoteio. É enfaticamente recomendado que sejam deixadas porções de vegetação não cortadas para posterior monitoramento e comparações, visando perceber o andamento da recuperação da vegetação (Zengel 1996).

A queima e corte na limpeza de marismas só devem ser feitas se o ambiente estiver severamente impactado por óleo, já que podem causar total destruição da comunidade bentônica residente (Gundlach & Hayes 1978). A queima é, às vezes, um método efetivo de remoção de óleo e da vegetação de marismas contaminadas sem os danos do pisoteio. Marismas de Spartina sp. podem resistir à queima ocasional, pois, durante o inverno, a porção aérea da planta seca e rebrota mais tarde. Neste período, a queima pode ser efetuada sem prejuízo, com um estímulo ao seu rebrotamento. Contudo, em qualquer outra estação a queima não é recomendada (IPIECA 1994, Lindau 1999). É importante ressaltar que no Brasil não é permitida a queima de marismas ou qualquer vegetação nativa costeira (CETESB 2002).

A biorremediação em marismas ainda é uma técnica em estudo. Os resultados são bastante variáveis. Nos Estados Unidos, um experimento feito em marismas utilizando a bioestimulação demonstrou um aumento na degradação de alcanos e hidrocarbonetos poliaromáticos (Jackson et al. 1999). Contudo, outro experimento concluiu que alguns fertilizantes não causaram aumento na degradação do óleo (Wrigh et al. 1997). Estudos sobre a aplicação deste método em marismas são

ainda necessários. Conclui-se,

portanto,

que

para

áreas

adjacentes a marismas os métodos de limpeza mais indicados são a limpeza natural, o bombeamento a vácuo, o recolhimento manual, o uso de absorventes com posterior recolhimento, o uso de esteiras e de skimmers. Para o interior de marismas são mais indicados a limpeza natural e o corte controlado. A utilização destas técnicas deve ser feita com muita cautela e com planejamento prévio para que sejam evitados danos pelo pisoteio e tráfego de pessoas e equipamentos.

estético (significado econômico) do que pelas conseqüências ecológicas negativas causadas pelo derramamento de óleo; a equivocada escolha dos métodos de limpeza focados na recuperação estética da praia, muitas vezes impõe prejuízos à biota.

Os métodos para limpeza de praias, apresentados como disponíveis segundo API (1985), são: absorção, remoção manual, bombeamento a vácuo, remoção mecânica, biodegradação induzida, dispersão química, queima, limpeza natural e jateamento.

Considerando os trabalhos de Gundlauch & Hayes (1978) e NOAA (2000) a limpeza deve se concentrar em remover, manualmente, o óleo do médio e supralitoral; desta maneira, a quantidade de areia removida é menor, devendo ser mínima em praias de areia fina. Para praias mistas de areia e cascalho a limpeza natural, a remoção mecânica e manual do óleo são as mais indicadas. Para praias de cascalho, a limpeza acaba por remover grandes quantidades de sedimento podendo resultar em impactos adversos; portanto, a limpeza deve se concentrar na linha de maré alta através de remoção manual e mecânica. Deve-se evitar o tráfego de veículos e pessoas, de modo a impedir que o óleo se misture ainda mais ao sedimento. O jateamento a baixa pressão pode ser usado para direcionar e acumular o óleo a ser recolhido por skimmers e absorventes. O jateamento a alta pressão deve ser evitado, pois pode transportar material contaminado para outros locais, causar impacto mecânico na fauna, desalojar a fauna e remover sedimentos.

A limpeza natural é plausível para praias expostas onde a ação das ondas é suficiente para remover o óleo (IPIECA, 2000). Também é recomendada para praias abrigadas onde outros procedimentos podem causar danos adicionais ao ambiente. Quando a limpeza natural não é apropriada (e.g., área com fraca hidrodinâmica, biota ou recursos socioeconômicos importantes sob ameaça), outras opções podem ser consideradas: jateamento a baixa pressão para sedimentos firmes com baixa declividade; remoção manual e mecânica; absorventes; bombeamento a vácuo; biorremediação. Com relação ao ultimo método não há evidências conclusivas a respeito de suas vantagens (IPIECA, 2000).

No Brasil, os métodos empregados sempre visaram à recuperação estética das praias afetadas, e

Limpeza de Praias

por

isso,

muitos

procedimentos

danosos

à

A limpeza das praias após derrames de petróleo sempre foi uma atividade prioritária, já que tais elementos conectam-se às atividades de turismo e lazer. A preocupação com a limpeza tem sido motivada muito mais pela recuperação do aspecto

comunidade biológica têm sido utilizados. No litoral do Estado de São Paulo, os principais métodos vinham sendo o recolhimento manual com pás e enxadas, e uso de máquinas pesadas, causando a retirada de grande quantidade de areia das praias,

Pan-American Journal of Aquatic Sciences (2007), 2 (1): 1-12

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