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C. CANTAGALLO ET AL.

especialmente da zona entremarés. Estes procedimentos acabavam por perturbar gravemente as comunidades biológicas, uma vez que a maioria dos organismos habita os primeiros 10 - 15 cm do substrato, justamente a faixa retirada pela limpeza (Lopes & Milanelli 2002).

Após vários estudos e avaliações de métodos utilizados, Milanelli & Lopes (2001) definiram diretrizes para a limpeza de praias, que foram adotadas com sucesso pela CETESB, desde o grande acidente TEBAR V, em São Sebastião (Lopes et al. 1996). Naquele episódio ficou comprovado que a ação das ondas e marés é extremamente eficiente no deslocamento do petróleo e na limpeza natural, devendo ser aproveitada ao máximo, durante os procedimentos. Também ficou claro que na zona entremarés deve-se evitar qualquer procedimento mecânico de limpeza, incluindo circulação de veículos e máquinas pesadas, uma vez que este segmento da praia é o mais rico e sensível biologicamente. O recolhimento manual do petróleo deve ser efetuado apenas no mediolitoral superior e supralitoral, retirando-se o mínimo de areia possível. É recomendado o uso de rodos de madeira para remover o óleo (pás e enxadas devem ser utilizadas apenas para retirar os montes de óleo agregados pelos rodos). Uma vez recolhida a maior parte do petróleo, o uso de absorventes é de grande eficiência na limpeza fina da praia. O produto deve ser espalhado na franja do infralitoral, sempre nas marés baixas. Após a preamar, o produto deve ser recolhido manualmente na franja do supralitoral, respeitando-se as faixas inferiores da praia. Todo o óleo recolhido deve ser retirado da praia preferencialmente em tambores ou “big bagslacrados.

Muitos países usam dispersantes na limpeza de praia. Todavia, a biota pode ficar exposta aos efeitos tóxicos do produto e do óleo dispersado (IPIECA 2001). O produto também não é recomendado para praias arenosas, lodosas e de cascalho (CETESB 2005). No Brasil a aplicação de dispersantes em praias é proibida pela legislação ambiental (Brasil 2000).

Com relação à biorremediação, testes feitos em praias mostraram que a adição de fertilizantes foi eficiente no aumento da taxa de biodegradação em locais que foram severamente atingidos por óleo (Lee & Levy 1991 apud Michel 1992). Em outros estudos, a adição de nutrientes não foi eficiente devido à lixiviação e lavagem dos sedimentos pelas ondas, marés e correntes. Estudos mais avançados são necessários, observando-se que a biorremediação só pode ser utilizada se estiver em concordância com a legislação ambiental Brasileira e for autorizada

pelo órgão ambiental competente.

Pode-se concluir que para praias, procedimentos como recolhimento de óleo com máquinas, tráfego de veículos na zona entremarés, manipulação da zona entremarés inferior, retirada indiscriminada de areia e a aplicação de dispersantes na areia são contra-indicados. Métodos como recolhimento manual criterioso, bombeamento a vácuo, o uso de absorventes para fazer a limpeza mais fina e a limpeza natural, aproveitando a ação das ondas, são os mais indicados para praias. Há um conflito muito intenso com relação aos aspectos ecológicos e sociais, já que praias são muito importantes economicamente. As pressões para que

  • o

    ambiente seja limpo a qualquer custo são muito

fortes. Entretanto, é fundamental que a limpeza seja

  • o

    menos impactante possível para que, com isso, o

ecossistema se recupere mais rapidamente.

Limpeza de Costões Rochosos

Em costões rochosos atingidos por petróleo, a ação hidrodinâmica das ondas e marés é fator importante a ser levado em consideração. Costões expostos são pouco sensíveis a derrames, já que o óleo é naturalmente e rapidamente retirado do ambiente. Já os costões rochosos abrigados apresentam alta sensibilidade a impactos, já que o tempo de persistência do óleo pode ser muito alto (Gundlach & Hayes 1978).

Existem diversos métodos de limpeza para

remediar

a contaminação

de costões

rochosos

atingidos

por petróleo.

Muitas das

técnicas,

entretanto, promovem um dano comunidade submetida ao process

adicional

à

  • o

    de limpeza.

Entre as técnicas mais utilizadas estão o jateamento,

  • o

    bombeamento, a remoção manual, a lavagem com

água corrente, o uso de absorventes e a limpeza natural.

  • O

    jateamento aplicado a costões pode ser

extremamente impactante, dependendo da pressão utilizada. Fluxos hídricos a altas pressões podem causar a supressão de toda a comunidade biológica, gerando um lento processo de recuperação e agravando, ainda mais, os efeitos do impacto (Milanelli et al. 1991, 1993, Milanelli 1994). Esta técnica pode ser utilizada, por razões estéticas, apenas acima da faixa habitada pelos organismos. O jateamento com areia também é contra-indicado, pois provoca os mesmos efeitos do jateamento a alta pressão. Ademais, este procedimento provoca o acúmulo de areia na base do corpo jateado, podendo causar o soterramento das populações presentes nestes locais (CETESB 2002). Le Hir (2002)

constatou que o uso

de jateamento a alta pressão

nestes

ambientes

causa

modificações

na

Pan-American Journal of Aquatic Sciences (2007) 2 (1): 1-12

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