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CONSIDERAÇÕES SOBRE A PEREGRINATIO AETHERIAE

comuns da linguagem oral (ergo, item, nam, tamen, autem...), freqüentemente meros expletivos, vão-se justapondo, às vezes como processos de repetição ou de explicação, de tal forma que, não raro, se perde a estruturação lógica do pensamento, e o período termina de forma abrupta com uma oração-resumo iniciada por sicut, ita etc. Outras vezes tem-se a impressão de que o texto nos chegou lacunoso. Falta aquela rígida estrutura hipotática do latim literário que exige do escritor uma ordenação e uma hierarquização prévia das idéias para a expressão verbal dos juízos. É uma trabalhosa elaboração que exige, além de qualidades pessoais, um domínio seguro da língua literária.

Ora, a Peregrinatio Aetheriae é uma narrativa simples, em que os fatos são registrados como ocorrem, entremeada de citações em forma de discurso direto, bem de acordo com a caracterização que Marouzeau faz da construção paratática, tipo de narração que

sans réflexion et par une sorte de réaction spontanée, reproduit la vision directe des événements, ou du moins l’image qu’ils ont laissé dans l’esprit. On en trouve maint exemple dans la langue rudimentaire des anciens chroniqueurs (Marouzeau, 1946, p. 229).

E adiante:

Procédé populaire, la parataxe se presente avec le mérite de la simplicité, du naturel; à ce titre il arrive qu’elle soit employée même par un écrivan d’ordinaire savant, qui, dans des circonstances spéciales, prend le ton familier; ainsi Cicéron dans sa correspondance (ibidem, p. 230).

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