X hits on this document

627 views

0 shares

0 downloads

0 comments

139 / 184

CONSIDERAÇÕES SOBRE A PEREGRINATIO AETHERIAE

tom informal, familiar desse diário fortemente impregnado de fatos da língua falada: predomínio da coordenação, repetições, explicações, perífrases, abundância de partículas (et, ergo, autem, nam, ...), pleonasmos, anacolutos. Língua assim marcada pela oralidade, em oposição a uma língua castigada, de requintada elaboração, o que não significa falta de arte, ausência de ideal estético, já implícito no ato mesmo de escrever. Dentro dessa informalidade, há evidentemente uma elaboração estilística, que se manifesta, por exemplo, nos meios de exprimir a repetição, a explicação, a duração, o ato de rezar, o nascer do dia etc.

Mas a repetição de palavras ou construções, sobretudo quando sobrecarregam o período a curta distância, pode transmitir ao leitor a impressão de certa monotonia, de língua pobre e desajeitada. É verdade que nem todos os estudiosos da Peregrinatio pensam assim. Leo Spitzer, por exemplo, vê nesse processo uma “hieratic slowness”, uma “sacred monotony”, comunicando à narrativa eteriana algo de solene, de estático, a conferir-lhe caráter de uma litania cativante:

The stereotyped character of such scenes is obviously in harmony with the atmosphere of static, saintly majesty which pervades the whole work. The pilgrimage has its own hieratic decorum (Spitzer, 1959, p. 898).

Parece-nos muito justa a crítica de Vermeer:

La répétition des mêmes mots peut, en effet, provenir d’une certaine paresse et lenteur d’esprit; et dans ce cas elle est le fait des gens moins cultivés. Mais elle peut aussi servir le besoin de clarté, l’intention d’impressioner, comme elle peut procéder de l’émotion de l’auteur ou viser à l’affet par des phrases rythmées

Document info
Document views627
Page views627
Page last viewedTue Jan 17 08:52:58 UTC 2017
Pages184
Paragraphs1442
Words33413

Comments