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CONSIDERAÇÕES SOBRE A PEREGRINATIO AETHERIAE

Com efeito, riqueza e pobreza aplicadas à língua, e aqui especialmente ao léxico, são considerações muito relativas e discutíveis e dependem do domínio de noções considerado. O próprio Marouzeau, lembrando Jespersen, mostra que uma língua de primitivos pode ser até mais rica do que uma língua de civilizados na designação de aspectos do real, do concreto. É o caso do latim pré-literário, riquíssimo em termos que exprimem coisas concretas, especialmente do campo (não tivesse sido o latim primitivamente uma língua de pastores): aqua, unda, lumpa, umor, ros, latex (latices) para “água”; flumen, fluuius, fluentum, fons, amnis, torrens, riuus para “água corrente” (“cours d’eau”); domus, aedes, casa, porta, ianua, ostium, postes, valvae, fores para “habitação” etc.

Acrescentemos que em relação à Peregrinatio esse critério de riqueza/pobreza ainda deverá levar em conta o estilo dos “itinera hierosolimitana”.

Um confronto com outros diários de viagem, como fez Vermeer, revelará até “un riche vocabulaire”, e uma narrativa que a faz muito diferente de um mero roteiro.

No caso eteriano – e aqui um dos inconvenientes de uma simples contagem de palavras – essa repetição de adjetivos dá azo às vezes a uma elaboração estilística. Vejamos a repetição de grandis em 3,3:

In eo ergo loco est nunc ecclesia non grandis, quoniam et ipse locus, id est summitas montis, non satis grandis est, quae tamen ecclesia habet de se gratiam grandem.

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