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CONSIDERAÇÕES SOBRE A PEREGRINATIO AETHERIAE

Fonda tinha objetivos bem diversos dos nossos. Preocupou-se mais com a “autonomia integral”, a “validade intríseca” da obra e não com o levantamento de “fatos filológicos isolados, possível contribuição para o estudo do latim vulgar” (p. 98), o que o levou a encarar os fatos “sob um ponto de vista menos filológico, e mais psicológico” (p. 100). É, pois, fundamentalmente um trabalho de interpretação estilística.

Foi-nos de grande valia a obra do Dr. Enio Fonda pelo fartíssimo material que reuniu e procurou analisar. Porém, no plano do nosso trabalho é fundamental a conceituação de variantes lingüísticas para situarmos o latim (ou os latins) de Etéria. E a este respeito a orientação lingüística de Enio Fonda nos parece muito flutuante, às vezes até contraditória, e nos deixa em dúvidas quanto ao que concluir da leitura de trechos como estes:

A língua de Etéria não pertence àquela que comumente chamam vulgar, mas antes a um tipo de língua mais livre e transcurada, quando considerada com o seu oposto artificial, o latim clássico ou língua literária (p. 91);

A língua de Etéria é o reflexo de um sermo cotidianus falado em terras e épocas que muito se distanciavam da Roma clássica (ibidem);

...o que Etéria escreveu não é apenas o reflexo de uma linguagem “vulgar”, mas sim do “latim tardio” (p. 115);

...o latim de Etéria não é senão o comumente falado (tardio ou cristão), mas que, já cristalizado numa língua definida, não deixa de ser, nem mesmo assim, língua literária (p. 121);

Nessa língua, pois, certa ou errada, clássica ou vulgar, que Etéria aprendera e falava...;

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